O Goldman Sachs está fazendo uma afirmação ousada: o ciclo de investimento atual é o mais intensivo em capital da história, e o Federal Reserve é essencialmente um espectador.
O banco está caracterizando o que considera um “super ciclo de gastos com capital” impulsionado por IA, que se estende muito além de chips e chatbots para energia, infraestrutura e centros de dados. E se as projeções do Goldman se confirmarem, os efeitos em cadeia tocarão quase todos os cantos da economia global até pelo menos 2026, possivelmente se estendendo até 2028.
Os números por trás da tese
As estimativas consensuais de Wall Street fixam os gastos com capital dos hyperscalers em US$ 527 bilhões para 2026. Esse é o cenário base. O Goldman vê potencial de alta que pode elevar esse valor para US$ 700 bilhões ou mais.
O CEO David Solomon tem sido veemente sobre a amplitude deste ciclo. Seu argumento é que as necessidades de capital não se limitam à camada de IA em si. Cada data center precisa de energia. Cada fonte de energia precisa de infraestrutura. Cada peça de infraestrutura precisa de financiamento. A demanda se propaga para fora, puxando indústrias que podem parecer desconectadas da inteligência artificial à primeira vista.
Goldman não está apenas observando essa tendência. O banco antecipa um aumento significativo na atividade de bancos de investimento e mercados de capitais, à medida que empresas de diversos setores competem para garantir financiamento para expansão. Mais fusões e aquisições, mais crédito corporativo, mais atividade de private equity.
Por que este ciclo parece diferente dos anteriores
Os anteriores boom de investimentos, seja na era das pontocom ou na revolução do xisto, tendiam a depender fortemente de capital privado. Fundos de risco e private equity impulsionaram grande parte dos gastos, com empresas públicas desempenhando um papel de apoio.
Desta vez, o gasto está sincronizado entre os setores público e privado. Hiperscalers como Microsoft, Google, Amazon e Meta estão comprometendo quantias enormes de seus próprios balanços. Ao mesmo tempo, capital privado está fluindo para oportunidades adjacentes: geração de energia, tecnologia de refrigeração, fibra óptica e a infraestrutura física que torna possíveis as cargas de trabalho de IA.
Goldman descreve tudo isso como ainda estando nos estágios iniciais. A implicação é que os volumes de M&A, a emissão de dívida corporativa e o investimento em infraestrutura poderão acelerar significativamente nos próximos anos. O papel do Fed nisso tudo, segundo o Goldman, é notavelmente passivo. O banco central pode ajustar as taxas, mas os impulsores fundamentais desse ciclo de gastos são estruturais, não monetários.
O que isso significa para os mercados e cripto
Para os mercados de criptomoedas, a situação é mais complexa. O comentário da Goldman não estabelece nenhuma ligação direta entre este ciclo de expansão de capital e ativos digitais. A narrativa do banco centra-se inteiramente na formação de capital convencional: dívida corporativa, financiamento por ações, gastos em infraestrutura e produtos bancários tradicionais.
Quando o maior banco de investimentos de Wall Street descreve um superciclo de vários anos e não menciona ativos digitais uma única vez, isso diz algo sobre onde está focada a atenção institucional atualmente.



