Os maiores investidores de títulos do mundo estão fazendo algo que soaria quase contrário há um ano: estão apostando contra os títulos do Tesouro dos EUA e transferindo dinheiro para dívidas governamentais australianas e europeias. A razão é simples, embora desconfortável para o Fed: instituições globais estão perdendo a fé na capacidade dos EUA de controlar a inflação.
A Schroders Plc, que gerencia aproximadamente US$ 1,1 trilhão em ativos, está liderando o movimento. A empresa tem aumentado ativamente posições de baixa em títulos do Tesouro dos EUA de 5 e 10 anos, enquanto realoca capital para títulos do governo de curto prazo na Austrália, no Reino Unido e na zona do euro.
Por que o Fed está perdendo espaço
A mais recente reunião de política do Federal Reserve não inspirou exatamente confiança. O banco central manteve as taxas de juros estáveis, mas a decisão não foi unânime. Alguns funcionários pressionaram por novos aumentos nas taxas, citando pressões inflacionárias persistentes.
Enquanto isso, os bancos centrais de outras regiões estão contando uma história mais decisiva. O Banco da Austrália aumentou sua taxa de caixa overnight em 25 pontos-base para 4,35%. O Banco Central Europeu sinalizou que novos apertos monetários estão na mesa. Enquanto o Fed mantém a estabilidade, Austrália e Europa estão ativamente apertando.
Esse contraste está criando o que os operadores de títulos chamam de oportunidade de “valor relativo”. Os títulos de curto prazo em mercados não americanos, aqueles com vencimentos mais curtos, estão parecendo cada vez mais atraentes em comparação com seus equivalentes americanos.
A mecânica da rotação
A mudança não é sutil. Investidores institucionais estão assumindo posições curtas diretas em títulos do Tesouro dos EUA, o que significa que estão apostando ativamente que os preços cairão e os rendimentos aumentarão. Ao mesmo tempo, estão comprando dívida soberana de curto prazo na Austrália, no Reino Unido e na zona do euro.
O consenso crescente entre gestores globais de renda fixa é que os instrumentos de dívida dos EUA apresentam um prêmio de risco que não está sendo adequadamente compensado. Dito de outro modo, os investidores não acreditam que estão sendo remunerados o suficiente para lidar com a incerteza da inflação nos Estados Unidos.
