Carteiras de hardware são supostamente a vault, não a vulnerabilidade. Mas um defeito de firmware recentemente descoberto em dispositivos Coldcard Mk3 inverteu essa suposição, com a Galaxy Research confirmando que 1.367,05 BTC, avaliados em aproximadamente US$ 88,6 milhões, foram retirados em três ondas de ataque coordenadas direcionadas a 4.585 endereços afetados.
A escala do roubo é alarmante. Estimativas anteriores haviam estimado perdas de cerca de 594 BTC de aproximadamente 500 endereços. A análise on-chain da Galaxy mais que dobrou esse valor, revelando um ataque muito mais amplo e metódico do que inicialmente compreendido.
O que aconteceu e quão rápido
A maior onda única ocorreu em 30 de julho de 2026 e foi eficiente da pior maneira possível. Os atacantes levaram 1.082,65 BTC, cerca de US$ 70,2 milhões, em apenas 41 minutos.
A análise da Galaxy descobriu que as duas primeiras ondas compartilharam impressões digitais de transação quase idênticas, especificamente taxas hard-coded de 30 sat/vB e os mesmos padrões de agrupamento. Esse nível de consistência sugere um único operador, ou pelo menos um único conjunto de ferramentas. A terceira onda rompeu com esse padrão, indicando um agente diferente ou uma mudança tática deliberada.
Os fundos roubados permaneceram em grande parte inalterados. O BTC não foi significativamente movido desde os roubos, permanecendo em um pequeno número de endereços controlados pelos atacantes.
A causa raiz: aleatoriedade previsível
A falha no firmware do Coldcard Mk3, presente nas versões 4.0.1 e posteriores, introduzida em março de 2021, causou o gerador de números aleatórios do dispositivo a produzir saídas fracas e previsíveis. As sementes criadas não eram realmente aleatórias, o que significava que um atacante com poder computacional suficiente poderia enumerar sementes possíveis offline e correspondê-las a endereços reais na blockchain, transferindo fundos de endereços de assinatura única sem jamais precisar de acesso físico ao dispositivo.
A equipe de engenharia da Block é creditada por ter revelado publicamente pela primeira vez o problema do RNG. A Coinkite, empresa por trás do Coldcard, emitiu um aviso aproximadamente 30 horas após o início das transferências iniciais.
Dispositivos Coldcard Mk4, Q e Mk5 não parecem ser afetados pela mesma falha. Usuários que mantêm fundos em carteiras Mk3 comprometidas estão sendo incentivados a gerar novas sementes completamente novas nesses modelos mais recentes, em vez de simplesmente transferir saldos dentro da mesma geração de hardware.
O que isso significa para a segurança de carteiras de hardware e investidores
O comportamento das taxas nos ataques também merece atenção. A taxa fixa de 30 sat/vB utilizada nas duas primeiras ondas estava entre 30 e 75 vezes a taxa mediana no momento, segundo as descobertas da Galaxy. Os atacantes claramente estavam dispostos a pagar um premium para garantir confirmação rápida.
Para detentores ativos de bitcoin, a pergunta imediata é a exposição. Qualquer pessoa que use um dispositivo Coldcard Mk3 com firmware da versão 4.0.1 em diante deve tratar sua seed atual como potencialmente comprometida e migrar os fundos para uma carteira recém-gerada em hardware não afetado. Verificar o histórico da versão do firmware e cruzar com o aviso da Coinkite é o primeiro passo prático.

