A França tem registrado recentemente uma série de sequestros e ataques domiciliares contra detentores de criptomoedas e suas famílias, trazendo de volta a atenção do setor para questões de segurança física offline. Com o aumento desses casos, a concentração de dados KYC tornou-se novamente um ponto focal de discussão sobre o risco de exposição aumentado.
Os casos na França continuam a aumentar
O jornalista de Bitcoin Joe Nakamoto afirmou que cerca de 70% dos ataques conhecidos globalmente contra detentores de criptomoedas ocorreram na França. Esses casos geralmente incluem sequestro, invasão residencial, extorsão e ameaças violentas, com o objetivo de forçar as vítimas a entregar chaves privadas, permissões de carteira ou ativos digitais.
A polícia francesa afirmou que essa tendência começou a aumentar no final de 2024, se expandiu em 2025 e persistiu em 2026. As investigações envolvem investidores em criptomoedas, executivos empresariais e seus familiares, e diversos casos já geraram ampla atenção local.
Vários casos chamaram a atenção
Em janeiro de 2025, o cofundador da empresa de carteiras de hardware Ledger, David Balland, e seu companheiro foram sequestrados. Balland foi posteriormente liberado, mas relatos indicam que os sequestradores cortaram sua mão e exigiram resgate em criptomoeda.
Em maio de 2026, a filha de Pierre Noizat, CEO da Paymium, foi vítima de uma tentativa de sequestro em Paris. Vídeos do local mostram vários homens mascarados tentando forçá-la a entrar em um veículo, após o que ela conseguiu escapar com a ajuda de seu marido.
Outro caso envolve a esposa de Sebastien Borget, cofundador do The Sandbox. Relatos indicam que os suspeitos se disfarçaram de entregadores e atacaram a residência dos dois em Villenoy. Vizinhos que ouviram os gritos de socorro intervieram, resultando na prisão de dois suspeitos.
Risco de dados de KYC novamente levantado
Nakamoto acredita que o aumento dos ataques está relacionado à coleta de dados KYC. As plataformas de criptomoeda armazenam centralizadamente as informações de identidade dos clientes em servidores, e, em caso de vazamento, podem ajudar criminosos a identificar alvos potenciais.
O vazamento de dados dos clientes da Ledger em 2020 ainda é frequentemente mencionado. Na época, os nomes, endereços e endereços de e-mail de mais de 270 mil clientes foram expostos, tornando-se desde então um caso clássico nas discussões sobre privacidade criptográfica e segurança real.
Jameson Lopp, CEO da Casa, disse que a situação na França se tornou um alerta para a indústria. Ele acredita que os requisitos regulatórios financeiros criam grandes bancos de dados de informações pessoais, que, se vazarem ou forem mal utilizados, podem expor detentores de Bitcoin a riscos no mundo real.
A França já prendeu pelo menos 88 pessoas
Investigadores franceses afirmam que esses casos não são organizados da mesma maneira. Alguns podem ser planejados por indivíduos no exterior e, em seguida, envolver jovens na França para rastrear, sequestrar ou prestar assistência logística. A mídia francesa relata que alguns dos suspeitos recentemente presos são menores de idade, e muitos outros têm menos de 20 anos.
A procuradora nacional francesa Vanessa Perrée afirmou que a França já prendeu pelo menos 88 pessoas nas investigações relacionadas. Na operação mais recente, a polícia capturou 24 suspeitos ligados a vários sequestros, sendo que um caso não consumado foi interceptado antecipadamente pela unidade anti-sequestro.
O Ministério do Interior da França reuniu-se com representantes da indústria de criptomoedas para discutir ameaças à segurança enfrentadas por investidores, fundadores e executivos. Durante a Paris Blockchain Week 2026, o representante ministerial responsável pelo assunto, Jean-Didier Berger, anunciou medidas preventivas, incluindo a criação de uma plataforma especializada de prevenção.
Informação adicional: Alguns instituições custodiantes já oferecem o mecanismo de “senha de coerção”, permitindo que os clientes enviem um alerta à plataforma quando sob ameaça; a plataforma, então, pode congelar os acessos ou entrar em contato com as autoridades policiais.




