O homem que já foi a cara pública do banco suíço acaba de ser condenado por corrompê-lo. Pierre Mirabaud, ex-presidente da Associação Suíça de Bancários e sócio aposentado do banco privado de Genebra que leva o nome de sua família, foi considerado culpado de suborno no exterior e lavagem de dinheiro agravada pelo Tribunal Penal Federal da Suíça, em Bellinzona.
O preço do esquema: 82,3 milhões de francos suíços, aproximadamente US$ 101 milhões, pagos em propinas por mais de uma década para conquistar ativos do fundo soberano de pensões do Kuwait.
Uma trilha de 12 anos de pagamentos
As propinas não foram um deslize isolado. Estenderam-se de 2000 a 2012, distribuídas em centenas de transações separadas direcionadas ao presidente da Instituição Pública de Segurança Social do Kuwait, conhecida como PIFSS.
O objetivo era simples: convencer o PIFSS a alocar seus recursos no Mirabaud & Cie, o banco privado boutique onde Pierre Mirabaud era sócio. Funcionou. O esquema direcionou aproximadamente US$ 595 milhões a US$ 600 milhões em ativos para o banco.
Mirabaud liderou a Associação Suíça de Bancários de 2003 a 2009, um período em que a pressão internacional sobre o sigilo bancário suíço estava aumentando. Ele se aposentou do próprio banco em 2009, mas continuou trabalhando como consultor até 2012, o mesmo ano em que os últimos pagamentos de propina foram feitos.
A frase e sua lógica
O tribunal impôs uma pena de dois anos de prisão suspensa, o que significa que Mirabaud não cumprirá pena no cárcere a menos que cometa outro crime. O julgamento em si durou apenas algumas horas, resultado de um procedimento simplificado desencadeado pela admissão de culpa de Mirabaud.
Vários fatores trabalharam a seu favor na sentença. Sua idade, um histórico anterior limpo e sua cooperação com as autoridades foram considerados circunstâncias atenuantes. Ele já havia reembolsado ao PIFSS 42 milhões de francos suíços antes da decisão do tribunal, cobrindo aproximadamente metade do total do suborno.
A acusação separada de falsificação de documentos foi totalmente descartada.
