A Flare publicou uma proposta de governança na quinta-feira que a tornaria uma das primeiras blockchains de camada 1 a capturar o valor maximal extraível (MEV) no nível do protocolo, em vez de permitir que ele flua para um pequeno número de atores especializados que lucram com a ordenação de transações em praticamente todas as principais cadeias.
MEV é a receita que os construtores de blocos extraem reordenando, inserindo ou censurando transações dentro de um bloco. Na maioria das blockchains, esse valor flui para pesquisadores e construtores externos que efetivamente impõem um imposto oculto aos usuários comuns por meio de front-running, ataques de sandwich e arbitragem.
Estimativas externas colocam as receitas anuais de MEV em dezenas de milhões em redes como Arbitrum, mais de US$ 500 milhões no ethereum e até US$ 1 bilhão no Solana. A proposta em três etapas da Flare direcionaria a receita para a própria economia de tokens do protocolo.
Na primeira etapa, a construção de blocos passa de validadores individuais para um construtor designado, inicialmente operado pela Entidade Flare, com um mecanismo de fallback para o modelo atual caso o construtor esteja indisponível. Na segunda, a construção de blocos é transferida para o Flare Confidential Compute, tornando o processo publicamente auditável. A terceira etapa une o construtor e o proponente em uma única entidade, transferindo os validadores existentes para uma função de verificação.
A proposta também cria a FIRE, a Entidade de Reinvestimento de Renda da Flare, para coletar receitas de múltiplas fontes de protocolo, incluindo taxas de atestação, taxas de FAsset e Smart Account, taxas de computação confidencial e o MEV capturado. O mandato principal da FIRE é reduzir a oferta de tokens FLR por meio de recompras e queimas no mercado aberto.
Várias alterações entrariam em vigor imediatamente após a aprovação. A inflação anual do FLR cairia de 5% para 3%, com o limite máximo reduzido de 5 bilhões para 3 bilhões de tokens por ano. Um aumento de 20 vezes na taxa de gás básica, de 60 gwei para 1.200 gwei, elevaria a queima anual estimada do FLR de aproximadamente 7,5 milhões para 300 milhões de tokens, nos volumes atuais de transações. Mesmo após o aumento, uma transação padrão da Flare custaria uma fração de um centavo.
A Flare tem raízes profundas no ecossistema XRP, tendo distribuído sua oferta inicial de tokens por meio de um airdrop para detentores de XRP em 2023. Seu sistema FAssets, que já produziu mais de 150 milhões de FXRP, foi projetado para trazer funcionalidade de contrato inteligente para ativos em blockchains como a XRPL que não a suportam nativamente.
A rede relata mais de US$ 160 milhões em valor total trancado até o final de março de 2026, com mais de 887.000 endereços ativos.

