O diretor operacional da FIFA acabou de adotar uma postura agressiva contra seu próprio chefe. Kevin Lamour acusou publicamente o presidente da FIFA, Gianni Infantino, de enganar os funcionários sobre uma proposta de vender uma grande participação minoritária nos ativos mais valiosos da organização, incluindo a própria Copa do Mundo.
Lamour disse que estava disposto a perder seu emprego por falar, acrescentando que os funcionários da FIFA “merecem algo melhor do que desprezo e intimidação.”
A pergunta de 20 bilhões de dólares
Infantino tem impulsionado um plano para criar uma nova empresa que supervisionaria os eventos principais da FIFA, incluindo a Copa do Mundo e a Copa do Mundo de Clubes. A ideia é vender uma grande participação minoritária nessa entidade, com o objetivo de gerar aproximadamente US$ 20 bilhões.
O dinheiro, segundo a proposta de Infantino, seria usado para triplicar o financiamento de desenvolvimento que a FIFA distribui às suas 211 associações membros.
Um trabalho interno que saiu dos trilhos
O que torna a crítica de Lamour particularmente danosa é que ele não era algum agitador externo. Ele é o COO da FIFA desde 1º de novembro de 2024 e, segundo seu próprio relato, ele e Infantino vinham desenvolvendo juntos essa proposta há vários meses.
O timing também importa. Isso ocorreu em 31 de julho de 2026, o que o coloca exatamente no período em que a FIFA precisaria da aprovação das associações e confederações membros para avançar com qualquer acordo estrutural dessa magnitude.
Europa e a ameaça de boicote
Lamour não está sozinho em sua oposição. A UEFA, a confederação europeia de futebol, e a Concacaf, que governa a América do Norte, Central e o Caribe, também expressaram oposição à proposta.
Relatos surgiram sugerindo que países europeus poderiam boicotar a Copa do Mundo se a proposta avançar conforme planejado.
Isso cria um paradoxo para Infantino. A avaliação de US$ 20 bilhões presumivelmente depende da Copa do Mundo manter seu status como o evento esportivo mais assistido globalmente. Se um boicote se materializar, o ativo sendo vendido vale drasticamente menos do que o que os investidores estão sendo solicitados a pagar.
A oposição da CONCACAF adiciona outra camada. Com a Copa do Mundo de 2026 sediada na América do Norte, ter a confederação regional publicamente cética quanto à sua proposta de governança é, para dizer o mínimo, uma ótica não ideal.
O que isso significa para investidores que acompanham a comercialização do esporte
A proposta da FIFA representaria um dos maiores acordos de comercialização esportiva já tentados. Uma avaliação de US$ 20 bilhões para os direitos comerciais relacionados à Copa do Mundo superaria a maioria das transações comparáveis no esporte profissional.
A revolta interna, combinada com a oposição ao nível da confederação, sugere que este acordo enfrenta obstáculos estruturais de governança. A FIFA opera sob um sistema de um-membro-um-voto em suas 211 associações, o que significa que Infantino precisa de um amplo consenso político, não apenas de um apresentação convincente.
