A Fidelity Digital Assets deseja encerrar um debate que consumiu o Twitter de cripto e macro há anos: o bitcoin precisa devorar o ouro para valorizar? A resposta, segundo Chris Kuiper, vice-presidente de Pesquisa da empresa, é um não claro.
Em um relatório atualizado intitulado “Getting Off Zero” para 2026, a Fidelity argumenta que o valor do bitcoin se valoriza principalmente contra o dólar americano, impulsionado por forças macroeconômicas como expansão da liquidez e expectativas de inflação. O ouro não precisa perder para que o bitcoin ganhe.
O problema de alocação zero
A tese central do relatório é aparentemente simples. A Fidelity considera uma alocação zero para bitcoin como funcionalmente equivalente a manter uma posição vendida. Em um contexto neutro em relação ao mercado, escolher não possuir nenhum ativo que superou praticamente todas as outras classes de investimento na última década é, por si só, uma aposta direcional.
A modelagem da empresa sugere que alocações modestas de bitcoin, na faixa de 1-3% de uma carteira tradicional, podem melhorar significativamente os retornos ajustados ao risco. Para investidores dispostos a ir mais longe, alocações de até cerca de 9-10% podem maximizar esses retornos dentro de um framework padrão de carteira 60/40 ações-títulos.
A fonte recomendada de recursos para essa alocação? Títulos, não ouro. A pesquisa da Fidelity aponta para realocar de renda fixa em vez de metais preciosos, o que reforça o enquadramento complementar entre bitcoin e ouro, e não uma luta entre os dois.
Complementar, não competitivo
Um dos pontos de dados mais interessantes na análise de Kuiper é o padrão histórico de desempenho alternado entre bitcoin e ouro. O ouro subiu aproximadamente 70% de 2019 a 2020, e o bitcoin seguiu com uma alta superior a 100%. Os dois ativos tendem a se alternar na liderança, respondendo a catalisadores macroeconômicos sobrepostos, mas não idênticos.
Kuiper enfatiza que, embora o bitcoin e o ouro compartilhem impulsores comuns, sua correlação a longo prazo permanece baixa. Ambos respondem à ansiedade fiscal, ao aumento dos níveis de dívida e aos medos de desvalorização monetária. Mas o bitcoin carrega o que a Fidelity descreve como um “componente de risco”, baseado em suas bases tecnológicas e crescimento da rede, que o ouro simplesmente não possui.
O bitcoin é um protocolo de 16 anos com um limite fixo de oferta de 21 milhões de moedas e uma curva de adoção ainda em expansão. O framework da Fidelity sustenta que tratar o bitcoin e o ouro como substitutos perde o ponto — eles estão resolvendo problemas sobrepostos, mas distintos, em uma carteira.
O cenário institucional
Os produtos negociados em bolsa de bitcoin spot agora detêm aproximadamente US$ 123 bilhões em ativos sob gestão, um valor que pareceria fantástico há apenas dois anos.

