A Europa acabou de traçar sua linha no chão, e ela passa diretamente pelo balanço da FIFA. A UEFA e suas 55 nações membros estão se movendo para boicotar todos os torneios da FIFA, incluindo a Copa do Mundo, após o órgão regulador anunciar planos de vender direitos comerciais a investidores privados em um acordo que visa uma avaliação de US$ 20 bilhões.
A proposta criaria algo chamado FIFA Forward Enterprise (FFE), um veículo projetado para arrecadar inicialmente até US$ 4,2 bilhões, permitindo que fundos de private equity adquiram direitos comerciais das Copas do Mundo masculina e feminina e da Copa do Mundo de Clubes.
O dinheiro e a revolta
A proposta da FIFA às suas 211 associações membros é direta. O acordo aumentaria as distribuições anuais de financiamento de US$ 8 milhões para US$ 20 milhões por membro, com possíveis aumentos em ciclos subsequentes.
Mas a UEFA não está aceitando isso. O órgão regulador europeu descreveu a proposta como ultrapassando uma linha intransponível para as estruturas do futebol e convocou uma reunião virtual de emergência de todos os 55 países membros para coordenar uma resposta.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, criticou publicamente a proposta, afirmando que “o futebol não pertence aos investidores.”
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, já esteve aqui antes. Ele tentou um investimento privado semelhante em 2018 para uma Copa do Mundo de Clubes expandida. Esse esforço colapsou sob a resistência europeia.
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A avaliação de US$ 20 bilhões que a FIFA busca para a FFE a tornaria um dos maiores veículos de comercialização esportiva já criados. As entidades supostamente envolvidas nesse acordo incluem o JP Morgan e a Thrive Capital, a empresa de capital de risco liderada por Josh Kushner.
Guerras de governança e incerteza de mercado
A FIFA opera sob um sistema de um país, um voto, o que significa que pequenas nações insulares têm o mesmo poder de voto que a Alemanha ou o Brasil. O aumento proposto de US$ 8 milhões para US$ 20 milhões no financiamento anual foi projetado para conquistar exatamente esses votos.
A alavancagem da UEFA não vem de votos, mas do produto. Os clubes europeus e as seleções nacionais são o principal atrativo para audiências e patrocinadores globais. Uma Copa do Mundo sem França, Alemanha, Espanha, Inglaterra e Itália não é realmente uma Copa do Mundo, apresentando valor de transmissão e apelo patrocinador dramaticamente reduzidos.
