A Broadcom acabou de perder uma rodada em o que se configura como um dos conflitos antitruste mais consequentes na regulamentação tecnológica europeia. O Tribunal Geral da UE rejeitou o pedido da empresa para suspender uma exigência de informações da Comissão Europeia, especificamente aquela que busca documentos relacionados aos assessores legais dos EUA da Broadcom.
A decisão efetivamente informa à Broadcom que os reguladores da UE podem, de fato, solicitar esses documentos. E que tentar contestar tais solicitações poderia, nas palavras do tribunal, enfraquecer os esforços de aplicação da lei de concorrência da UE.
O que está realmente acontecendo aqui
A Broadcom concluiu a aquisição da VMware em 2023, um acordo que atraiu atenção regulatória desde o início. Agora, a Comissão Europeia está investigando as alterações que a Broadcom fez no programa de provedores de serviço em nuvem da VMware após o encerramento da fusão.
A reclamação que impulsiona a investigação vem da CISPE, os Provedores de Serviços de Infraestrutura em Nuvem na Europa, um grupo de setor que representa cerca de 50 provedores europeus de nuvem. A Microsoft e a Amazon são membros associados.
A CISPE apresentou sua última reclamação contra a Broadcom em 19 de março de 2026, alegando que as mudanças pós-fusão no programa de nuvem da VMware excluíram efetivamente diversos parceiros europeus.
A Broadcom desafiou o pedido de informações da Comissão Europeia em 13 de maio de 2026. O argumento da empresa centrou-se na ideia de que entregar materiais vinculados a assessores jurídicos dos EUA deveria ser proibido. O tribunal discordou, concluindo que os documentos provavelmente são relevantes para a investigação antitruste.
A Broadcom mantém que continua a investir em parceiros europeus da VMware e contestou a caracterização de dano ao mercado pela CISPE. A empresa também destacou colaborações voltadas para fornecer soluções alternativas aos principais hyperscalers.
A luta pelo privilégio legal sob a superfície
Nos EUA, as comunicações com conselheiros jurídicos internos geralmente são privilegiadas. A UE adota uma visão mais restrita, estendendo o privilégio normalmente apenas às comunicações com advogados externos e independentes. A tentativa da Broadcom de proteger documentos relacionados a conselheiros jurídicos dos EUA foi, na prática, pedir ao tribunal da UE que respeitasse normas de privilégio do estilo americano. O tribunal disse não.
Por que investidores em cripto e nuvem devem se importar
A queixa da CISPE alega que as alterações da Broadcom reduziram o número de provedores de nuvem viáveis na Europa, o que normalmente significa preços mais altos e menos alternativas para empresas que dependem dessa infraestrutura.
Para os investidores da Broadcom especificamente, a aquisição da VMware por US$ 69 bilhões deveria transformar a Broadcom em uma potência de infraestrutura diversificada. Se a Comissão Europeia encontrar, no final, violações de concorrência, os remédios podem variar de compromissos comportamentais a mudanças estruturais que alterem a lógica econômica do acordo.
A recusa do tribunal em conceder medidas provisórias significa que a investigação prossegue com pleno acesso aos documentos disputados.
