O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, nega transferência de reserva de bitcoin para partes privadas

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O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, negou relatos de que o país transferiu suas reservas de bitcoin para partes privadas, chamando as afirmações de "totalmente falsas". A confusão surgiu após um acordo nível equipe do FMI sugerindo que a carteira Chivo havia sido entregue a um operador privado. Bukele esclareceu que apenas ações de capital foram transferidas, enquanto a Reserva Estratégica de Bitcoin—7.764 BTC avaliados entre US$ 618 milhões e US$ 632 milhões—permanece sob controle governamental. O Federal Reserve ainda não se pronunciou sobre o assunto.

O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, respondeu às reportagens da mídia que sugeriam que o país havia transferido suas reservas soberanas de bitcoin para entidades privadas, chamando essas interpretações de “totalmente falsas” nas redes sociais. A esclarecimento veio um dia após o Fundo Monetário Internacional divulgar um acordo em nível de equipe que, dependendo da interpretação, poderia parecer que o país estava descarregando silenciosamente seu estoque de criptoativos.

Não foi. Segundo Bukele, apenas ações ordinárias da carteira Chivo, o aplicativo de pagamento em bitcoin apoiado pelo governo, foram transferidas para um operador privado. A Reserva Estratégica de Bitcoin da nação, que detém aproximadamente 7.764 BTC avaliados entre US$ 618 milhões e US$ 632 milhões, permanece firmemente nas mãos do governo.

O que o FMI realmente disse

Em 3 de setembro, o FMI publicou os resultados das revisões combinadas da segunda e terceira fases do programa de Facilidade Ampliada de Crédito de US$ 1,4 bilhão de El Salvador. O acordo liberaria aproximadamente US$ 140 milhões em novos desembolsos, sujeitos à aprovação do conselho.

Escondido na linguagem estava um detalhe que chamou a atenção da mídia: a propriedade majoritária e o controle operacional da carteira Chivo foram transferidos para um operador privado. O governo manteve uma participação minoritária e continuou a atuar como custodiante dos ativos dos clientes.

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O FMI também observou algo importante sobre as recentes adições de bitcoin de El Salvador. Qualquer BTC adquirido desde a última revisão veio por meio de doações privadas, não de fundos públicos. E olhando para frente, o fundo deixou claro que não se espera mais acumulação pública de bitcoin.

A confusão do Chivo

A raiz do mal-entendido parece ser a confusão entre duas coisas distintas: a estrutura corporativa da carteira Chivo e a Reserva Estratégica de Bitcoin. Elas não são as mesmas.

Chivo era o aplicativo de pagamento em bitcoin da El Salvador, lançado em 2021 junto com a decisão histórica do país de tornar o bitcoin moeda de curso legal. O aplicativo tinha como objetivo integrar milhões de salvadorenhos à economia cripto, com um bônus de inscrição de $30 em bitcoin.

A Reserva Estratégica de Bitcoin é uma coisa totalmente diferente. É o estoque soberano do país de BTC, acumulado ao longo de vários anos e agora situado em quase 7.764 moedas. Nas valorações atuais, isso coloca o valor da reserva em algo acima de US$ 618 milhões.

O que mudou, segundo Bukele, é que a entidade da carteira Chivo foi reestruturada. Um operador privado agora está à frente, com o governo se retirando para uma posição de propriedade minoritária. A reserva de bitcoin em si não se moveu para lugar nenhum.

Pressão do FMI e o equilíbrio do bitcoin

Este episódio destaca a dança cada vez mais desconfortável entre El Salvador e o FMI. O financiamento estendido de US$ 1,4 bilhão, um programa de 40 meses iniciado no início de 2025, veio com condições. Uma das mais significativas: El Salvador revogou o status de moeda legal do bitcoin no início daquele ano como condição prévia para o acordo.

Foi uma reversão dramática. Em setembro de 2021, El Salvador tornou-se o primeiro país do mundo a adotar o bitcoin como moeda de curso legal.

Ainda assim, Bukele não abandonou completamente o bitcoin. A Reserva Estratégica permanece intacta e até cresceu por meio de doações privadas, uma solução alternativa que tecnicamente satisfaz as condições do FMI, mantendo viva a visão cripto. O fundo reconheceu isso em sua última análise, observando sem objeção as aquisições financiadas por doações, desde que o dinheiro público permaneça fora da equação.

O desembolso de US$ 140 milhões, agora aguardando aprovação do conselho, representa a última parcela de um programa projetado para fortalecer a posição fiscal e a sustentabilidade da dívida de El Salvador.

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