A maior prioridade legislativa da indústria de criptomoedas foi novamente adiada. O Senado dos EUA encerrou seu recesso de agosto de 2026 sem realizar uma votação em plenário sobre a Digital Asset Market Structure Clarity Act, o abrangente projeto de lei de 616 páginas que estabeleceria o primeiro quadro regulatório abrangente para ativos digitais no país.
O líder da maioria no Senado, John Thune, confirmou em 7 de agosto de 2026 que a votação seria adiada para setembro, culpando os democratas por se recusarem a concordar com um cronograma procedural que permitiria que a medida chegasse ao plenário antes dos legisladores se dispersarem para o recesso.
Um projeto de lei que não consegue cruzar a linha de chegada
A Lei CLARITY percorreu um caminho longo e tortuoso. Ela foi aprovada na Câmara em 17 de julho de 2025, com um voto bipartidário de 294 a 134. Desde então, o projeto de lei ficou preso em um ciclo de negociações, objeções e atrasos. Os pontos de impasse são variados e politicamente carregados: disposições éticas vinculadas aos negócios da família do presidente Trump, preocupações levantadas por agências de aplicação da lei e objeções pontuais do setor bancário contribuíram todos para o entrave.
Levar a conta à votação exige que 60 senadores concordem com a clotura, o passo processual necessário para superar um filibuster.
A senadora Cynthia Lummis, uma das defensoras mais ativas do setor de criptomoedas no Congresso e uma importante apoiadora da legislação, chamou o atraso de “frustrante”, mas afirmou que permanece comprometida em avançar com o projeto quando o Congresso se reunir novamente.
Os banqueiros da comunidade alertam
A Associação Americana de Bancos Comunitários Independentes alertou que disposições na Lei CLARITY relacionadas aos rendimentos das stablecoins poderiam ter consequências devastadoras para o crédito local. Sua preocupação é específica e quantificada: sem emendas para restringir os rendimentos das stablecoins, a capacidade de empréstimo dos bancos comunitários poderia diminuir em US$ 850 bilhões.
O argumento dos banqueiros comunitários resume-se ao medo de deslocamento competitivo. Se as stablecoins forem autorizadas a oferecer rendimentos com poucas barreiras regulatórias, os depósitos poderão migrar dos bancos tradicionais para alternativas digitais. Menos depósitos significam menos empréstimos, e menos empréstimos significam menos atividade econômica nas comunidades atendidas por esses bancos.
Crunch de setembro e pressão de meio de mandato
O adiamento comprime um calendário legislativo já apertado em uma sessão de outono que promete ser caótica. Com as eleições de meio de mandato se aproximando em novembro, o Congresso terá uma janela estreita para agir sobre o CLARITY Act quando se reunir em setembro.
Os senadores republicanos que têm defendido a legislação ao lado de líderes da indústria de criptomoedas precisarão encontrar uma maneira de abordar as preocupações democratas sobre as cláusulas éticas, ao mesmo tempo em que acalmam os bancos comunitários preocupados com a concorrência das stablecoins.

