O volume financeiro total de extorsões, invasões e pedidos de resgate aumentou de US$ 10,53 milhões no primeiro semestre de 2025 para US$ 124,18 milhões nos primeiros seis meses deste ano, ou seja, quase 12 vezes. Em média por incidente, o prejuízo aumentou de US$ 270.000 para US$ 2,39 milhões.
Analistas da CertiK esclareceram: suas estatísticas refletem apenas casos confirmados. Uma grande parte dos incidentes pode permanecer fora dos relatórios, pois as vítimas preferem resolver conflitos de forma não pública.

De 52 casos confirmados, 39 ocorreram em países da União Europeia, representando cerca de 75% do total de ataques conhecidos. O número de incidentes registrados pela CertiK na Ásia diminuiu de 13 para 6, e na América do Sul, de 7 para 1. Nos EUA, houve apenas cinco casos em seis meses, mais dois incidentes ocorreram no Reino Unido e dois na Suécia. Ataques isolados foram registrados na Bélgica, Camboja, Canadá, Hong Kong, Malásia, Filipinas, Espanha, Turquia e no Oriente Médio.

A França foi responsável por 33 dos 52 casos conhecidos, 63,5% do total e 84,6% dos incidentes na Europa, informaram especialistas em segurança.
Uma das principais mudanças na tática dos criminosos é o aumento dos ataques com invasão de residências particulares. Se, nos primeiros seis meses de 2025, foi publicamente confirmado apenas um caso desse tipo, em 2026 esse número aumentou para 20, cerca de 41% de todos os incidentes registrados. O número de sequestros aumentou de 12 para 16 casos. O número de episódios com uso de tortura permaneceu em quatro, assim como o número de mortes — um por semestre.
«Os criminosos utilizam o método de pressão indireta, obtendo acesso aos ativos por meio de ameaças aos cônjuges, filhos, pais, motoristas ou funcionários das empresas, cujos níveis de proteção e preparação para estresse são significativamente mais baixos do que os do próprio investidor», afirmaram representantes da CertiK.
Para buscar potenciais vítimas, os atacantes utilizam vazamentos de dados, registros fiscais, bancos de clientes de exchanges de criptomoedas, perfis em redes sociais e informações provenientes de transações públicas na blockchain.
Analistas da CertiK identificaram como um fator de risco importante a entrada em vigor, em 1º de janeiro, na União Europeia, da diretiva DAC8. O documento obriga provedores de serviços de ativos criptográficos a fornecer às autoridades fiscais dos países da UE informações sobre transações dos clientes. A chegada de novos conjuntos de dados pode criar riscos adicionais de uso por golpistas e levar a um número ainda maior de ataques contra detentores de criptomoedas, alertam especialistas em segurança.
Anteriormente, na França, a polícia deteve quatro homens suspeitos de uma série de ataques e sequestros de investidores em criptomoedas. Segundo a investigação, os criminosos exigiam que os proprietários de criptomoedas transfirassem os fundos sob ameaça de violência física.


