Um novo grupo de especialistas composto por pesquisadores líderes em criptografia envia uma mensagem clara à indústria de criptomoedas: seus ativos digitais estão seguros. Embora já possamos usar computadores quânticos, o tempo para garantir a segurança futura contra computadores quânticos está se esgotando.
Coinbase lançou seu primeiro documento de posição do novo conselho consultivo independente de computação quântica e blockchain.
O comitê reúne pesquisadores de ponta da Universidade de Stanford, da Universidade do Texas em Austin, da Ethereum Foundation, da Eigen Labs, da Universidade Bar-Ilan e da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara. Embora ainda não existam máquinas quânticas capazes de quebrar a criptografia moderna da blockchain, sua aparição é inevitável.
Especialistas estimam que um computador quântico suficientemente poderoso ainda pode levar pelo menos dez anos para ser desenvolvido, mas alertam que atualizar redes descentralizadas exige uma coordenação em larga escala, o que significa que a indústria deve começar a se preparar imediatamente.
Onde está a verdadeira fraqueza?
A infraestrutura central é basicamente segura. A mineração de Bitcoin, as funções hash e o histórico das principais blockchains não enfrentam ameaças substanciais devido ao avanço da tecnologia quântica.
A principal vulnerabilidade existe no nível da carteira. As carteiras que expõem certas informações críticas na cadeia apresentam o maior risco. O conselho estima que atualmente 6,9 milhões de bitcoins pertencem a essa categoria altamente vulnerável.
Redes que utilizam o mecanismo de consenso de prova de participação enfrentam riscos adicionais, pois os validadores usam esquemas de assinatura específicos para proteger a rede.
A comunidade criptográfica tem desenvolvido alternativas resistentes a ataques quânticos por mais de duas décadas, e o Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos EUA (NIST) já padronizou várias novas soluções seguras. O desafio atual não é mais a invenção, mas a implementação.
A quantidade de dados das novas assinaturas quânticas seguras é muito maior do que os padrões atuais. A integração dessas assinaturas afetará diretamente a velocidade das transações, os custos da rede e as necessidades de armazenamento. Além disso, coordenar a migração de milhões de usuários descentralizados representa um desafio logístico único para o setor criptográfico.
Questão de bilhões de dólares
A questão mais controversa apresentada pelo conselho envolve o “dinheiro morto”: o que acontece com carteiras que nunca são atualizadas?
Chaves perdidas, detentores inativos e contas abandonadas significam que, quando os computadores quânticos forem implantados, uma parcela significativa dos ativos digitais estará inevitavelmente exposta.
Coinbase afirmou que a criação do comitê consultivo tem como objetivo garantir que sua estratégia de segurança corporativa seja guiada por "ciência, não por manchetes". A exchange está atualmente ajustando sua infraestrutura para adotar rapidamente novos padrões criptográficos.


