Resumo
O chefe de política da UE da Circle, Patrick Hansen, propôs um framework de equivalência sob o MiCA que permitiria aos emissores estrangeiros de stablecoins, incluindo a Tether, acessar os mercados europeus sem estabelecer uma entidade separada licenciada na UE. A proposta surge após o USDT da Tether ser retirado de várias exchanges europeias em vez de cumprir os requisitos de reservas e licenciamento do MiCA.
Principais conclusões
Principais conclusões
- Hansen estima que aproximadamente 99% das stablecoins se originam fora da UE, o que significa que a estrutura atual do MiCA, que exige uma entidade da UE licenciada, se aplica apenas a uma pequena fração do mercado global de stablecoins.
- O retorno da Tether à Europa permanece improvável no curto prazo: a empresa tem sua sede em El Salvador, não obteve aprovação sob o novo quadro norte-americano para stablecoins e lançou uma stablecoin separada voltada para os EUA, em vez de modificar a USDT.
- A UE já aplica decisões de equivalência em banca, seguros e infraestrutura de mercados financeiros, incluindo o reconhecimento das câmaras de liquidação do Reino Unido em janeiro de 2025, mas nunca estendeu esse mecanismo às stablecoins.
- A resistência política ligada às preocupações com a soberania monetária e à iniciativa do euro digital do BCE representa um desafio significativo para qualquer reforma do MiCA que facilite o acesso a stablecoins lastreadas em dólar.
A decisão da Tether de se afastar do mercado europeu em vez de cumprir as regulamentações da União Europeia sobre stablecoins reacendeu discussões sobre se o bloco precisa de uma abordagem mais flexível. Uma proposta de um executivo sênior da Circle sugere que introduzir um framework de equivalência poderia oferecer uma solução e potencialmente permitir que emissores globais de stablecoins retornem sem criar tokens específicos para a UE.
O conceito permitiria à UE reconhecer quadros regulatórios de outras jurisdições se atenderem a padrões comparáveis, reduzindo a necessidade de emitentes estrangeiros estabelecerem uma entidade licenciada separada dentro do bloco.
As regras de stablecoin do MiCA criam barreiras para emitentes globais
A Regulação de Mercados de Ativos Criptográficos da UE (MiCA) representa o principal quadro regulatório da região para ativos digitais, com seus requisitos para stablecoins atingindo sua data final de implementação em 1º de julho.
No entanto, o framework não possui um mecanismo que permita aos reguladores europeus reconhecerem as regras aplicadas aos emissores em outros países. Como resultado, as empresas que buscam acesso aos usuários europeus devem estabelecer uma entidade licenciada dentro da UE.
Patrick Hansen, chefe de política da UE da Circle, descreveu essa abordagem como um caminho de entrada desafiador, observando que a grande maioria das stablecoins é emitida fora da Europa.
Segundo Hansen, cerca de 99% das stablecoins originam-se fora da UE, o que significa que a estrutura atual do MiCA se aplica apenas a uma porção limitada do mercado global.
“A equivalência está surgindo como uma alternativa atraente ao modelo de múltiplas emissões”, disse Hansen, argumentando que poderia oferecer outra via regulatória para emissores internacionais de stablecoins.
O USDT da Tether enfrenta desafios sob as regras de conformidade do MiCA
O USDT da Tether, a maior stablecoin do mundo por capitalização de mercado, está no centro do debate. Com um valor de mercado de aproximadamente US$ 184 bilhões, o USDT enfrenta desafios sob os requisitos do MiCA, incluindo regras que exigem que emissores principais mantenham uma parcela significativa das reservas em bancos europeus.
Em vez de ajustar sua estrutura de reservas, que é amplamente lastreada por dívidas do governo dos Estados Unidos, a Tether permitiu que o USDT fosse removido de várias exchanges europeias em vez de modificar seu modelo de operação.
Um sistema de equivalência poderia potencialmente alterar essa dinâmica, permitindo que os reguladores europeus reconheçam o framework existente da Tether em vez de exigir uma versão emitida separadamente na UE do USDT.
No entanto, o retorno da Tether à Europa permanece incerto. A empresa agora tem sua sede na El Salvador e ainda não obteve aprovação sob o novo quadro norte-americano para stablecoins. Ela também optou por lançar uma stablecoin separada focada nos EUA, em vez de modificar o USDT, tornando um retorno rápido à Europa improvável.
O USDC da Circle segue um caminho regulatório diferente
Diferentemente da Tether, a Circle adotou uma estratégia focada em conformidade, obtendo uma licença francesa em 2024, permitindo que seu stablecoin USDC permaneça acessível no mercado europeu.
Como a Circle já está alinhada aos requisitos do MiCA, um modelo de equivalência provavelmente ofereceria maiores vantagens a concorrentes que atualmente enfrentam barreiras regulatórias.
Já uso equivalência em outros setores financeiros
A ideia de equivalência regulatória não é nova na Europa. A UE já aplica abordagens semelhantes em setores como bancário, seguros e infraestrutura de mercados financeiros.
Por exemplo, o bloco concedeu reconhecimento às câmaras de liquidação do Reino Unido por meio de uma decisão de equivalência em janeiro de 2025. No entanto, essa abordagem nunca foi estendida às stablecoins.
Implementar a equivalência para ativos digitais exigiria alterações no MiCA, e a revisão regulatória lançada pela UE em maio de 2026 pode se tornar uma oportunidade chave para reconsiderar o quadro atual.
A regulamentação de stablecoins enfrenta desafios políticos e monetários
Apesar dos potenciais benefícios, a introdução de equivalência para stablecoins enfrenta obstáculos políticos. A maioria das principais stablecoins está vinculada ao dólar dos EUA, levantando preocupações na Europa sobre dependência financeira e soberania monetária.
O Banco Central Europeu também está avançando os trabalhos sobre um euro digital, adicionando outra camada ao debate sobre o papel das stablecoins privadas lastreadas em dólar dentro do sistema financeiro europeu.
A Europa enfrenta uma escolha entre controle e competição global
O debate em torno da equivalência de stablecoins destaca um desafio regulatório mais amplo para a Europa: como proteger a estabilidade financeira enquanto permanece competitivo em um mercado de ativos digitais em rápida evolução.
Um quadro mais rigoroso pode dar aos reguladores maior controle, mas corre o risco de limitar o acesso à inovação global e deslocar atividades para outras jurisdições. Por outro lado, um modelo de equivalência cuidadosamente projetado poderia permitir que a Europa mantivesse supervisão enquanto se integra ao ecossistema global de stablecoins.
O resultado da revisão do MiCA poderá determinar se a UE continua priorizando um modelo regulatório fechado ou avança em direção a uma abordagem mais interoperável que reconheça a natureza internacional dos ativos digitais.

