A máquina de exportações da China está funcionando a todo vapor há anos. Michael Froman, presidente do Conselho de Relações Exteriores e ex-representante comercial dos EUA, agora argumenta que está prestes a superaquecer.
Escrevendo em Foreign Affairs, Froman apresenta o argumento de que o modelo de crescimento da China, baseado na inundação dos mercados globais com bens baratos, está se aproximando de um muro estrutural. O problema central: o resto do mundo simplesmente não consegue absorver o que a China continua produzindo.
Os números contam uma história clara
O superávit comercial de bens da China aumentou para quase US$ 1,2 trilhão em 2025. Isso não é apenas grande, mas está crescendo a cerca de três vezes a taxa do comércio global de bens como um todo.
No início de 2026, esse excedente estava aumentando em mais de 20% na comparação ano a ano.
Dois setores se destacam como motores de crescimento particularmente agressivos. As exportações de veículos chineses, lideradas por veículos elétricos, aumentaram 21% em 2025, atingindo US$ 142 bilhões. Os envios de baterias de íon-lítio atingiram US$ 77 bilhões no mesmo ano.
Por que o modelo está ficando sem estrada
O FMI projetou um crescimento econômico global de apenas 3,1% para 2026. Esse não é o tipo de expansão que pode absorver confortavelmente um setor de exportações chinês crescendo a três vezes a taxa global.
Froman atuou como Representante Comercial dos EUA sob o presidente Obama de 2013 a 2017 e foi Conselheiro Adjunto de Segurança Nacional para Assuntos Econômicos Internacionais antes disso. Seu papel atual à frente do Conselho de Relações Exteriores lhe confere uma posição que abrange análise de políticas e construção de consenso entre os círculos estabelecidos.
O que os investidores devem observar
Para participantes do mercado, o aviso de Froman sinaliza vários vetores de risco que merecem monitoramento atento.
Setores profundamente integrados à manufatura chinesa, incluindo eletrônicos de consumo, automotivo e energia renovável, apresentam exposição concentrada a qualquer interrupção no motor de exportações da China. A taxa de crescimento de mais de 20% nos superávits comerciais no início de 2026 representa uma lacuna crescente entre o que a China produz e o que o mundo pode absorver de forma sustentável.
O risco macroeconômico mais amplo é que um ajuste nas exportações chinesas coincida com o crescimento global já fraco. Uma expansão do PIB global de 3,1% não deixa muita margem de segurança.
