- Especialistas da CertiK publicaram um relatório sobre ataques de chave inglesa para os primeiros seis meses de 2026.
- O número de incidentes e a quantia total de danos aumentaram.
- Em várias jurisdições, a Europa lidera no geral, com a França em particular em primeiro lugar.
Na primeira metade de 2026, 52 chamados ataques de chave inglesa contra empreendedores de criptomoedas foram registrados, segundo um relatório da CertiK. Entre as jurisdições, a Europa detém uma liderança incontestável.
Como lembrete, um ataque com chave de fenda é um ataque físico contra uma pessoa com o objetivo de forçá-la a entregar criptoativos ou chaves de acesso à carteira. Há muitos casos desse tipo, por exemplo, em France.
As autoridades locais até lançaram uma plataforma dedicada com uma linha direta especificamente para participantes da indústria de criptomoedas.
De acordo com o relatório da CertiK, 35 incidentes foram registrados no Q1 de 2026, comparados com 22 um ano antes. No Q2 — 17.
Os prejuízos registrados no primeiro semestre de 2026 totalizaram $124 milhões, um aumento de 1.079% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
O pagamento médio de seguro por incidente aumentou de US$ 270.000 para US$ 2,39 milhões.
Como a CertiK observou, esses valores refletem não apenas fundos roubados, mas também resgates, transferências feitas sob coação e outros danos relacionados aos ataques registrados.
Além disso, especialistas observaram uma certa mudança no comportamento dos atacantes:
A tendência sugere que os atacantes acreditam cada vez mais que a coerção física pode gerar lucros massivos. Essa crença está mudando a economia do crime. Mesmo ataques fracassados podem ser racionais para grupos se o retorno esperado for suficientemente alto, e os organizadores transferem os riscos operacionais para equipes que podem ser implantadas no terreno.
Geografia dos Ataques
O relatório enfatiza que essa métrica mudou significativamente. Enquanto, nos primeiros seis meses de 2025, a participação da Europa no número total de ataques foi de 35,9%, em 2026 foi de 75%. Em outros lugares, a atividade criminosa diminuiu.
Especialistas também observaram atividade criminal anormalmente alta na França. O país representou 63,5% de todos os incidentes confirmados registrados mundialmente no primeiro semestre de 2026 e 84,6% de todos os ataques na Europa no mesmo período.
A organização explicou a popularidade desta jurisdição por uma série de fatores. Primeiro e principalmente, o grande número de empresas de criptomoedas e figuras influentes no setor, bem como documentação extensiva — incluindo registros fiscais — cujo vazamento frequentemente leva a ataques.
Atacantes se adaptam
De acordo com o relatório, no primeiro semestre de 2026, invasão residencial e sequestro tornaram-se os tipos de ataques mais comuns. Ambos os métodos exigem preparação e planejamento cuidadosos, incluindo o arranjo da transferência e lavagem de fundos. Isso sugere que os ataques a empreendedores de criptomoedas estão se tornando cada vez mais sofisticados e complexos.
“O modelo operacional está cada vez mais assumindo uma estrutura multicamada. Na parte superior, estão os organizadores e patrocinadores, que definem metas, compram ou coletam dados, coordenam logística e supervisionam a lavagem de dinheiro. Abaixo deles, estão os coordenadores locais, que recrutam equipes, organizam transporte ou locais seguros e realizam vigilância direta. Na base, estão os operadores no terreno, frequentemente jovens recrutados por meio de aplicativos de mensagens ou redes criminosas locais por uma taxa fixa”, diz o relatório.
Se o ritmo atual de ataques se mantiver, até o final de 2026 o número de incidentes provavelmente alcançará 100, e os danos causados por eles ultrapassarão US$ 228 milhões. No entanto, existem muitas variáveis que podem influenciar essa tendência.
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