A Cerebras Systems, fabricante de chips de IA que passou anos se posicionando como a anti-Nvidia, está descobrindo o quão ávida a Wall Street está por esse discurso. A empresa aumentou a faixa de preço de sua oferta pública inicial devido à demanda esmagadora dos investidores, com a oferta supostamente superdimensionada em mais de 20 vezes.
Os pedidos superaram US$ 10 bilhões para a operação, que originalmente tinha como faixa de preço entre US$ 115 e US$ 125 por ação. Essa faixa foi elevada para US$ 125 a US$ 135 a partir de 8 de maio, com fortes indícios de que o preço pode subir ainda mais antes das ações começarem a ser negociadas na Nasdaq sob o ticker CBRS.
Os números por trás da fúria
A Cerebras planeja vender 28 milhões de ações, visando arrecadar até US$ 3,5 bilhões no que seria uma das maiores ofertas públicas iniciais de tecnologia dos últimos tempos. Para colocar isso em perspectiva, a empresa está tentando arrecadar aproximadamente o mesmo valor que a Arm Holdings captou em sua listagem de sucesso em 2023.
A empresa também secureu uma linha de crédito de US$ 850 milhões, capital destinado à expansão da sua infraestrutura de data centers e ao aprofundamento de parcerias com grandes players de IA.
Essas parcerias são uma parte fundamental do cenário de alta. A Cerebras vem colaborando com a OpenAI e a Amazon, dois nomes que têm enorme peso na conversa sobre infraestrutura de IA. A empresa construiu sua reputação com a afirmação de que seus chips em escala de wafer oferecem desempenho superior em comparação com as soluções da Nvidia, especialmente para cargas de trabalho de treinamento e inferência de modelos de linguagem grandes.
Por que os investidores estão se concentrando
A Cerebras é diferente de pelo menos uma maneira mensurável: possui realmente relações geradoras de receita com as empresas que desenvolvem modelos de IA de ponta. Trabalhar com a OpenAI, criadora do ChatGPT, e com a Amazon, que opera uma das três principais plataformas de nuvem, confere à Cerebras uma vantagem competitiva de credibilidade que a maioria dos concorrentes não possui.
A tecnologia central da empresa também é genuinamente incomum. Enquanto a maioria dos chips de IA tem aproximadamente o tamanho de um selo postal, a Cerebras fabrica chips do tamanho de um prato de jantar. Em inglês: eles pegam uma única wafer de silício, do tipo que normalmente é cortada em centenas de chips individuais, e a transformam em um único processador massivo. O resultado é um chip com muito mais núcleos de processamento e largura de banda de memória do que qualquer unidade única vendida pela Nvidia.
Uma subscrição 20x significa que, para cada ação disponível, os investidores fizeram pedidos por 20. Esse nível de demanda normalmente impulsiona os preços para cima, exatamente o que aconteceu aqui.
O que isso significa para os investidores
A Cerebras enfrenta alguns riscos específicos que merecem atenção. Primeiro, a concentração de clientes. Parcerias com a OpenAI e a Amazon são impressionantes, mas a forte dependência de um pequeno número de clientes gigantescos cria vulnerabilidade. Se qualquer um desses relacionamentos esfriar, o impacto na receita seria significativo.
Em segundo lugar, há o problema da Nvidia. A Nvidia não está parada. Sua arquitetura Blackwell e a próxima plataforma Rubin representam alvos em movimento que toda startup de chips de IA precisa ultrapassar. A Cerebras pode ter uma vantagem de desempenho hoje, mas manter essa liderança exige gastos incessantes em P&D, o que provavelmente é a razão pela qual a empresa deseja US$ 3,5 bilhões em recursos de IPO mais uma linha de crédito de US$ 850 milhões.
Para investidores que não conseguem acessar a alocação de IPO, o premium do primeiro dia pode ser elevado devido à dinâmica de superprocuras. Aqueles que consideram comprar no mercado secundário devem avaliar se a avaliação implícita na faixa de US$ 125 a US$ 135, potencialmente mais alta, é justificada pela taxa atual de receita e trajetória de crescimento da Cerebras em relação aos seus pares no setor de chips de IA.
