As ações da Cerebras disparam mais de 108% na IPO, afirmando superar a NVIDIA com chips de IA em escala de wafer

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As ações da Cerebras (CBRS) subiram mais de 108% na IPO, atingindo US$ 385 a partir do preço de oferta de US$ 185. Dados on-chain mostram forte demanda inicial pela ação da fabricante de chips de IA. A empresa afirma que seus chips em escala de wafer superam os da NVIDIA em 20 vezes. A Cerebras tem um pedido de US$ 200 bilhões da OpenAI e arrecadou US$ 5,5 bilhões. O CEO Andrew Feldman destacou a análise on-chain da empresa sobre tendências de infraestrutura de IA de longo prazo.

Original | Odaily Planet Daily (@OdailyChina)

Autor | Wenser (@wenser 2010)

Na noite passada, a Cerebras (CBRS), apelidada de “a próxima NVIDIA”, iniciou oficialmente as negociações e, pouco depois, disparou de seu preço de emissão de US$ 185 para US$ 350, atingindo um pico intradiário de US$ 385, um aumento de mais de 108%. Embora seu preço atual tenha recuado para cerca de US$ 311, ainda apresenta um ganho superior a 68%. Anteriormente, o CEO da Cerebras, Andrew Feldman, afirmou em entrevista à CNBC: “Nosso chip tem o tamanho de um prato e é 20 vezes mais rápido que os chips da NVIDIA.”

Qual é a base dessa fabricante de chips que arrecadou 5,5 bilhões de dólares para afirmar que seus chips são mais rápidos que os da NVIDIA? Como ela conseguiu obter uma encomenda de 20 bilhões de dólares da OpenAI em meio à concorrência acirrada? Será que o preço de suas ações continuará em alta no curto prazo? Odaily Planet Daily apresentará suas respostas a essas perguntas neste artigo.

A confiança da Cerebras para enfrentar a NVIDIA: abrindo um novo mundo de IA com chips em escala de wafer

Com a crescente lacuna na capacidade de processamento de IA, a forte demanda de mercado impulsionou a NVIDIA a se tornar a empresa de maior valor de mercado global atualmente.

Recentemente, a ação da NVIDIA atingiu nova máxima histórica, com sua capitalização de mercado chegando temporariamente a mais de 5,5 trilhões de dólares. Em termos de tamanho de capitalização, ela se tornou a terceira maior economia do mundo, atrás apenas dos PIBs dos Estados Unidos e da China, superando de longe economias globais importantes como Alemanha e Japão, merecendo plenamente o título de verdadeiramente “mais rica que muitos países”.

Mas, ao contrário da NVIDIA, uma “grande dominante” estabelecida há décadas, a Cerebras (CBRS) é apenas uma nova entrante na indústria de chips.

Em 2016, especialistas renomados da indústria de chips, incluindo Andrew Feldman, Gary Lauterbach, Sean Lie, Michael James e JP Fricker, fundaram conjuntamente a Cerebras Systems, cuja sede fica em Sunnyvale, Califórnia, EUA. Diferentemente da NVIDIA, que se concentra em desenvolver GPUs universais para atender maximamente à demanda do mercado, a inovação central da Cerebras é o Wafer Scale Engine (WSE), o maior chip de IA do mundo atualmente.

Equipe fundadora da Cerebras (5 pessoas, 2022)

Seus produtos principais incluem:

  • WSE-3: área de aproximadamente 46.225 mm² (equivalente ao tamanho de um prato de jantar), com 4 trilhões de transistores, 900.000 núcleos otimizados para IA e capacidade de processamento de 125 petaflops. Em comparação com GPUs tradicionais, ele transforma todo o wafer em um único processador gigante, evitando gargalos de interconexão entre múltiplas GPUs, com SRAM integrada de até 44 GB e largura de banda de memória extremamente alta.
  • Sistema CS-3: supercomputador AI baseado no WSE-3, compatível com treinamento e inferência; atualmente, a Cerebras não vende apenas chips, mas também oferece suporte técnico por meio de serviços em nuvem (Cerebras Inference), data centers dedicados e implantação local.

Em termos de modelo de negócios, a Cerebras fornece inferência de ultra-baixa latência para empresas como OpenAI, Meta, Perplexity, Mistral, GSK e Mayo Clinic. Em 2025, a receita anual da Cerebras foi de US$ 510 milhões (um aumento de 76% em relação ao ano anterior), tendo alcançado lucratividade e contando com grandes encomendas em andamento (incluindo contratos de centenas de megawatts de computação com a OpenAI por vários anos).

Ilustração do chip Cerebras WSE-3

No dia 14 de maio, durante o IPO, o CEO da Cerebras, Andrew Feldman, respondeu positivamente na entrevista ao CNBC Squawk Box sobre o status atual das operações da empresa, sua vantagem tecnológica e as perspectivas futuras do mercado:

  • Primeiro, Feldman afirmou que o IPO é “a maneira correta de financiar nosso crescimento”, que a empresa já amadureceu e que o mercado público pode suportar grandes oportunidades de crescimento. Ele destacou que isso é o resultado de uma década de esforço, sentindo-se muito orgulhoso, e disse que o mercado “entendeu nossa história e respondeu de forma positiva”.
  • Em segundo lugar, ele enfatizou repetidamente que a Cerebras é a única empresa nos últimos 70 anos a ter sucesso na fabricação de "chips gigantes", com todos os outros tentativos falhando; portanto, "a vantagem técnica é ampla e profunda" ("the technical moat is wide and deep"). É aqui que ele mencionou que os chips da Cerebras são 58 vezes maiores e operam 15 a 20 vezes mais rápido do que os chips de concorrentes como a NVIDIA, permitindo uma aceleração significativa no treinamento e na inferência de IA.
  • Por fim, em resposta às preocupações do mercado sobre a sustentabilidade dos gastos em IA, Feldman afirmou que a demanda correspondente é “enorme e em crescimento contínuo”. Os chips da empresa transformam qualitativamente a experiência de IA (respostas mais rápidas, agentes em tempo real, etc.). Ele mencionou parcerias importantes com a OpenAI, AWS e outros, e expressou otimismo quanto ao ambiente geral de hardware de IA.

Para falar um pouco fora do assunto, assim como Musk anteriormente apostou na Anthropic em “data centers no espaço” (recomendamos fortemente a leitura de “Musk e Anthropic, vão ao espaço procurar energia”), Feldman também fez uma previsão ousada: “dentro de 15 anos, data centers no espaço provavelmente se tornarão realidade”, revelando sua confiança inabalável na construção a longo prazo e na expansão acelerada da infraestrutura de IA.

Assim, como um "entusiasta de velocidade" no campo de chips de IA, a Cerebras conseguiu se destacar ao focar no desempenho extremo de modelos ultraescaláveis, tornando-se um forte desafiador da NVIDIA em aplicações de inferência de grandes modelos e treinamento ultraescalonado.

Nesse aspecto, o pedido de 20 bilhões de dólares da OpenAI fornece uma base sólida para seu desenvolvimento, e a cooperação entre ambos vai muito além da relação de “fabricante de chips” e “comprador de chips”.

A relação complexa entre a Cerebras e a OpenAI: cliente, credor e potencial acionista majoritário

A relação entre Cerebras e OpenAI remonta a muito tempo. Além da cooperação entre as empresas, os fundadores da OpenAI, Sam Altman e Greg Brockman, entre outros, foram investidores anjo iniciais da Cerebras, detendo pequenas participações — o que provavelmente também é uma das razões importantes para o profundo vínculo entre as duas empresas hoje.

Em dezembro de 2025, a OpenAI forneceu ao Cerebras um empréstimo de capital de giro de US$ 1 bilhão, estabelecendo assim a relação credora-devedora entre as duas partes.

Em janeiro deste ano, o acordo de aquisição de 750 MW de capacidade de inferência da Cerebras com a OpenAI foi oficialmente anunciado, com posterior ênfase na opção de expansão para 2 GW. Em abril, essa informação foi novamente confirmada. Segundo notícias da mídia, a OpenAI planeja investir mais de 20 bilhões de dólares nos próximos três anos na aquisição de servidores impulsionados por chips da Cerebras, e receberá como parte do acordo ações da empresa. Assim, a OpenAI tornou-se o maior cliente da Cerebras, sem dúvida.

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Fonte da imagem: @Xingpt

Os documentos subsequentes S-1 e de inscrição para IPO da Cerebras mostram que se espera que a OpenAI obtenha cerca de 33,44 milhões de warrants da Cerebras a um preço de exercício extremamente baixo de US$ 0,00001 por ação, com alguns warrants sujeitos a condições de vesting, incluindo datas de entrega de capacidade de computação e marcos como o valor de mercado da Cerebras ultrapassar US$ 40 bilhões.

Se todos os direitos forem exercidos e as condições forem atendidas, a OpenAI poderá obter cerca de 10%-11% das ações (a proporção exata depende do capital total após o IPO). Com uma avaliação de aproximadamente US$ 56 bilhões no preço do IPO, essa participação vale cerca de US$ 5-6 bilhões; se calculada com base no valor de mercado atual (que após o fechamento do primeiro dia do IPO já estava próximo de US$ 95 bilhões), essa participação vale aproximadamente US$ 10,3 bilhões. Embora ainda não tenham sido exercidos totalmente, já não há dúvida de que a OpenAI pode ser considerada a possível maior acionista da Cerebras.

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Fonte da imagem: @Xingpt

Ainda é incerto se a Cerebras se tornará a próxima NVIDIA, mas o preço da ação pode continuar a subir no curto prazo.

Voltando à terceira pergunta inicial, o Cerebras poderá se tornar o próximo NVIDIA?

Do ponto de vista do cenário do setor, a resposta é inequivocamente não. As principais razões são quatro:

  • Em primeiro lugar, há uma enorme lacuna entre os ecossistemas: como dominadora absoluta da indústria de fabricação de chips, o stack de software CUDA da NVIDIA é o padrão indiscutível da indústria, com inúmeros desenvolvedores, frameworks técnicos e cadeias de ferramentas dependendo dele; já a Cerebras, embora também tenha seu próprio stack de software, ainda está longe de alcançar a maturidade e compatibilidade do CUDA, tornando o custo de migração extremamente alto para muitos desenvolvedores e empresas.
  • Em segundo lugar, a diferença de escala e a estratégia de desenvolvimento diversificado: em 2025, a receita da NVIDIA atingiu centenas de bilhões de dólares, e suas GPUs cobrem todos os cenários, incluindo treinamento, inferência, gráficos, automotivo e data centers. Jensen Huang chegou a declarar na CES de 2026: "O mercado de chips e infraestrutura de IA poderá atingir 1 trilhão de dólares em 2027", com a NVIDIA sendo o maior detentor desse mercado. Em contraste, a Cerebras teve uma receita de apenas 510 milhões de dólares em 2025, com clientes relativamente concentrados em grandes players únicos como a OpenAI, apresentando menor capacidade de resistência a riscos.
  • Em terceiro lugar, a fabricação de chips e o controle de custos diferem entre os dois: os chips de IA de grande escala trazem não apenas velocidades de execução mais rápidas, mas também maior complexidade e custo de fabricação. O chip em nível de wafer da Cerebras requer um wafer inteiro por unidade, resultando em baixa produção da TSMC, grandes desafios de taxa de rendimento e preço unitário elevado (o custo de um sistema CS-3 é muito superior ao de uma única GPU); já na NVIDIA, um único wafer pode ser cortado em dezenas de GPUs, proporcionando maior efeito de escala e retornos econômicos superiores.
  • Quarto, a pressão competitiva no setor de chips é diferente entre os dois: ao contrário da NVIDIA, que ocupa uma posição dominante no setor, a Cerebras enfrenta concorrência direta de diversos players do setor, como Groq, AMD, Google TPU e AWS Trainium. Embora seu ritmo de desenvolvimento atual seja positivo, limitações em termos de tempo, capital e recursos fazem com que sua posição atual seja mais a de um “player premium e de nicho” do que de um “dominador do mercado”.

Com base nas informações acima, a Cerebras não será capaz de se tornar um gigante do setor como a NVIDIA em curto prazo, nem conseguirá perturbar o cenário competitivo atual; no entanto, em termos de preço por ação, seu valor unitário já superou o da NVIDIA. Além disso, graças ao forte impulso da onda de IA e à crescente lacuna de capacidade de processamento, dentro deste ano, antes da abertura de capital da OpenAI e da Anthropic, a ação e a capitalização de mercado da Cerebras ainda podem ter algum espaço para alta.

Nos próximos 2 a 3 anos, se os pedidos da OpenAI, AWS e outros forem convertidos em receita real conforme planejado, a ação da Cerebras pode subir ainda mais; no entanto, se o desempenho dos pedidos não atender às expectativas do mercado ou se a demanda por inferência de modelos de IA mudar, sua ação sofrerá forte pressão.

Em resumo, nos próximos 1 a 3 anos, a Cerebras não conseguirá substituir a NVIDIA, mas poderá ocupar uma parte significativa do segmento de infraestrutura de IA, tornando-se o “rei da velocidade de chips de IA”. Quanto ao cenário competitivo da indústria em um horizonte mais longo, ainda será necessário tempo para validação.

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