Carlos Domingo, CEO da Securitize, usou um artigo do Wall Street Journal em 15 de julho para disparar um tiro de advertência contra o mercado de ações tokenizadas. Seu argumento central é direto: a maioria das ações tokenizadas circulando em exchanges de criptomoedas é pouco mais do que envólucros sintéticos não regulamentados, sem respaldo adequado, sem autorização do emissor e sem nenhuma conformidade com as regras de insider trading.
O problema de 300%
Domingo não se conteve, chamando o estado atual das ações tokenizadas não autorizadas de “uma lata de vermes” que acabará por “explodir”. Alguns tokens não autorizados que afirmam acompanhar o desempenho de grandes corporações como Apple e Amazon apresentaram desvios de preço de até 300% em relação aos valores reais das ações subjacentes.
Em muitos casos, não há nenhuma relação entre o emissor do token e a empresa cujas ações supostamente estão sendo representadas. Ninguém da Apple ou da Amazon aprovou esses produtos. Ninguém nessas empresas está garantindo feeds de preços precisos, custódia adequada dos ativos subjacentes ou conformidade com regulamentações de valores mobiliários.
Contraproposta da Securitize
A Securitize tornou-se a primeira empresa puramente de tokenização a ser listada na New York Stock Exchange ao concluir uma fusão SPAC até 2 de julho de 2026. A empresa agora negocia sob o ticker SECZ e até tokenizou suas próprias ações. A empresa gerencia entre US$ 4 bilhões e US$ 4,5 bilhões em ativos tokenizados até julho de 2026. Sua abordagem centra-se no que chama de “tokenização nativa patrocinada pelo emissor”, o que significa que a empresa cuja equity está sendo tokenizada está realmente envolvida no processo.
Domingo testemunhou perante o Congresso em 2024, defendendo caminhos de tokenização regulamentados que trariam títulos digitais sob quadros legais existentes, em vez de permitir que eles existissem em uma zona cinza.
O ângulo do insider trading
Quando as ações de uma empresa são tokenizadas sem o envolvimento ou conhecimento do emissor, as proteções contra insider trading essencialmente desaparecem. Alguém com conhecimento interno de uma possível falha nos resultados futuros poderia negociar uma versão não autorizada da ação da empresa em uma exchange offshore sem exigência de registro na SEC, sem departamento de conformidade monitorando negociações e sem rastro auditável real.
Como esses tokens são negociados em exchanges de criptomoedas que frequentemente operam fora da jurisdição dos EUA, a SEC pode agir contra atores domésticos, mas perseguir emissores de tokens em jurisdições offshore obscuras é um jogo completamente diferente. Isso cria um mercado de dois níveis, onde a equity da mesma empresa efetivamente tem dois preços: o regulamentado na NYSE ou Nasdaq, e o não regulamentado em uma exchange de criptomoedas.
O que isso significa para os investidores
Para investidores que consideram exposição a ações tokenizadas, a questão crítica não é se existe um token para uma determinada ação. É se a empresa emissora autorizou e participa da tokenização. Sem isso, você está segurando um produto derivado com status legal incerto, sem precisão de preço garantida e sem recurso regulatório caso algo dê errado.
O testemunho de Domingo no Congresso em 2024 e seus avisos públicos de 15 de julho sugerem que a pressão está aumentando para regras mais claras sobre títulos tokenizados. A listagem da Securitize na NYSE e sua base de ativos superior a US$ 4 bilhões lhe conferem uma vantagem estrutural caso os reguladores atuem contra ofertas não autorizadas.
