O Canadá não está virando a outra face. O Primeiro-Ministro Mark Carney anunciou tarifas retaliatórias correspondentes às taxas de 50% impostas pelos EUA sobre aproximadamente US$ 20 bilhões em exportações canadenses, chamando as exigências americanas de um ataque à soberania canadense.
As tarifas dos EUA, que entraram em vigor em 22 de agosto, visam vinho canadense, móveis e produtos lácteos. A resposta do Canadá atingirá aço, eletrodomésticos e outros setores dos EUA a partir de 8 de setembro, dando às empresas cerca de duas semanas para se prepararem para o impacto.
A divisão
A escalada tarifária segue o colapso das negociações comerciais entre Ottawa e Washington. Carney caracterizou as propostas dos EUA como fundamentalmente incompatíveis com a soberania canadense e os interesses culturais regionais, uma abordagem que sugere que essas negociações não eram apenas sobre cálculos comerciais.
As exportações canadenses afetadas representam cerca de 5,5% das exportações totais do Canadá para os EUA.
Carney prometeu que seu governo anunciará medidas de apoio aos trabalhadores e empresas afetados na próxima semana, sugerindo que o pacote de ajuda poderia se estender por vários anos.
Os EUA citaram as práticas canadenses em laticínios, álcool e veículos automotores como justificativa para as tarifas. O sistema de gerenciamento de oferta do Canadá para laticínios, que utiliza cotas e altas barreiras à importação para proteger os agricultores nacionais, tem sido uma irritação persistente nas relações comerciais bilaterais por décadas.
Uma guerra comercial com raízes profundas
Esta última escalada não surgiu do nada. A atual rodada de hostilidades remonta a 2025, quando a administração Trump impôs tarifas alegando déficits comerciais e o que chamou de práticas canadenses injustas. O Canadá respondeu com seus próprios pacotes retaliatórios, incluindo tarifas de 25% sobre US$ 30 bilhões em importações dos EUA.
O Canadá tem estado construindo silenciosamente uma apólice de seguro. Ottawa assinou mais de 20 novos acordos comerciais e de segurança desde 2025, uma estratégia clara para reduzir a dependência do mercado norte-americano. Quase 70% das exportações canadenses atualmente fluem para o sul, atravessando a fronteira.
