Pela primeira vez nos mercados de capitais do Brasil, dez vacas leiteiras da Fazenda Engenho Velho, em Imbituva, Paraná, tornaram-se os primeiros bens pecuários do país formalmente registrados como garantia na exchange — um experimento que combina blockchain, coleiras inteligentes com sensores de IA e crédito rural tradicional para liberar financiamento para agricultores com dificuldades financeiras. Como o negócio funcionou: - A fazenda utilizou dez vacas avaliadas em R$ 120.000 (cerca de US$ 23.310) como garantia para obter uma CPR-F (Cédula de Produto Rural Financeira), um título de crédito rural que permite aos produtores tomar emprestado contra rebanhos ou colheitas. A CPR-F foi emitida por R$ 100.000 (cerca de US$ 19.420) pela BMP, uma empresa de crédito direto autorizada pelo banco central. - A BMP vendeu os direitos creditórios ao Target FIDC, um fundo que compra e monetiza recebíveis. O Target, em seguida, registrou a transação na B3, principal exchange do Brasil — tornando as vacas garantias formalmente reconhecidas em um mercado regulado. - Cada animal foi “tokenizado” ao receber um ID digital criptografado único. Esse identificador é gerado a partir de dados de saúde, comportamento e GPS coletados por coleiras inteligentes com IA da startup de agritech Cowmed. Esses pontos de telemetria são criptograficamente hashados em um ID imutável vinculado diretamente ao contrato de crédito — eliminando a necessidade de inspeções físicas na fazenda para confirmar o ativo. Por que os credores se importam: Bancos frequentemente reduzem o valor da garantia pecuária — em até 60% — porque não possuem meios confiáveis para verificar a condição ou a existência de um animal. Uma vaca listada em R$ 20.000 (cerca de US$ 2.380) no papel pode ser descontada para R$ 8.000 (cerca de US$ 1.600) para fins de empréstimo. “Com o monitoramento, essa incerteza é eliminada”, afirmou Humberto Brenner, diretor do Target FIDC, à Globo Rural, acrescentando que os bancos exigirão cada vez mais “garantias reais e novas informações”. O contexto maior: um setor agrícola pressionado e a tendência de RWAs O agronegócio brasileiro está sob forte pressão: os pedidos de recuperação judicial (equivalente brasileiro ao Chapter 11) saltaram para 1.990 em 2025 — quase quatro vezes os 534 arquivamentos em 2023, segundo a Serasa Experian. Taxas de juros elevadas, queda nos preços das commodities e choques climáticos apertaram o crédito para muitos produtores. O CEO da Cowmed, Thiago Martins, apresentou o piloto de tokenização como uma resposta prática a essa pressão: “Pegamos a vaca, um ativo real e tangível, e a transformamos em um ativo digital respaldado por um código único monitorado em tempo real”, disse ele à CNN Brasil. “Essa digitalização permite o registro formal na B3 como um título financeiro — o processo oferece ao produtor uma oportunidade vantajosa de obter financiamento, abrindo uma nova alternativa de garantia em um momento de fortes restrições de crédito no agronegócio.” Martins afirmou que o modelo pode oferecer aos agricultores “crédito mais atrativo em termos de custo e limite”, e conectar melhor produtores a instituições financeiras. Esse piloto pecuário também se encaixa na onda mais ampla de tokenização de ativos do mundo real (RWAs) na cripto e DeFi — onde mais de US$ 10 bilhões já foram tokenizados em títulos do Tesouro dos EUA, imóveis e outros ativos — transformando valor tangível em instrumentos negociáveis e on-chain. Escala e metas de curto prazo Atualmente, a Cowmed monitora cerca de 100.000 vacas em 1.200 fazendas no Brasil, EUA, Canadá, Uruguai, Paraguai e Bolívia — ativos que estimam em cerca de R$ 2 bilhões (aproximadamente US$ 395,4 milhões). Martins projeta que 20% desse rebanho, cerca de R$ 400 milhões (≈ US$ 77,6 milhões), poderão ser penhorados como garantia tokenizada dentro de dois anos. O Target FIDC já está avaliando mais quatro fazendas brasileiras, e os parceiros pretendem canalizar cerca de R$ 5 milhões (cerca de US$ 971.000) em crédito por meio desse modelo até o final de 2026. Conclusão O piloto no Paraná é um teste concreto de se a tokenização pode reduzir a incerteza da garantia, mobilizar capital e oferecer aos agricultores novo acesso ao crédito. Se o modelo for escalado, poderá redefinir como os bancos avaliam empréstimos agrícolas — e oferecer um modelo para outros ativos do mundo real serem digitalizados e financiados em mercados regulados.
Brasil lista as primeiras vacas tokenizadas na B3 usando coleiras de IA para liberar crédito rural
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A bolsa brasileira B3 agora lista as primeiras vacas tokenizadas do país como garantia, uma iniciativa coberta por notícias on-chain. Dez vacas leiteiras da Fazenda Engenho Velho, no Paraná, foram equipadas com coleiras inteligentes com IA e usadas para garantir um certificado de crédito rural no valor de R$100.000. O projeto, liderado pela empresa de agritech Cowmed, tem como objetivo impulsionar o financiamento rural. Notícias sobre IA + cripto destacam o potencial de tokenizar até R$400 milhões em ativos bovinos em dois anos.
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