TL;DR
- O BPI publicou um estudo nacional revelando que o argumento de “ouro digital” mal convence os americanos a comprar bitcoin.
- O BPI analisou mensagens focadas em controle financeiro e entregues por indivíduos confiáveis, o que se mostrou significativamente mais eficaz na atração de novos compradores.
- Um artigo do Fed de Cleveland mostra que as expectativas de retorno preveem as posições de bitcoin melhor do que qualquer variável demográfica.
O Bitcoin Policy Institute (BPI) publicou os resultados de um estudo nacional que desafia um dos argumentos mais repetidos no ecossistema: apresentar Bitcoin como “ouro digital” tem pouco impacto entre os americanos comuns. O projeto foi desenvolvido em parceria com a empresa de pesquisas Cygnal e a organização Neighborhood Bitcoin, e ocorreu em três fases entre março e junho de 2026.
A primeira fase do estudo do BPI incluiu uma pesquisa com 1.516 eleitores registrados com idades entre 18 e 64 anos. Os participantes foram classificados em quatro segmentos: “Curiosos Indecisos” representaram 32%, “Rejeitadores Ideológicos” aproximadamente 30%, “Desconectados Financeiramente Estressados” cerca de 20% e “Crentes Ativos” os restantes 18%.

BPI: Mensagens que realmente funcionam
A segunda fase reuniu oito grupos focais com aproximadamente 80 pessoas que não possuíam bitcoin, mas que poderiam ser convencidas. As sessões foram realizadas em Columbus, Ohio, e Nashville, Tennessee, e conduzidas por Brent Buchanan, CEO da Cygnal, durando aproximadamente 95 minutos cada. A fase final consistiu em uma pesquisa de validação de mensagem realizada entre 29 de maio e 2 de junho de 2026, com 1.000 eleitores participantes e uma margem de erro de ±3,10 pontos percentuais.
Os resultados do estudo do BPI indicaram que o controle foi a principal preocupação entre os respondentes em relação ao bitcoin, seguido pelo desempenho comprovado do ativo, segurança, acessibilidade e facilidade de uso. Frases baseadas na ideia de controle tiveram o maior impacto, incluindo mensagens como “Você decide quanto” ou “Você pode rastrear a atividade por conta própria.”
O conceito de “dinheiro livre” — descrevendo o bitcoin como poupança que nenhum banco ou governo pode congelar ou inflacionar — também mostrou alta eficácia. O argumento de “ouro digital”, por outro lado, não ficou entre as mensagens mais ressonantes.
O BPI também revelou que compradores em potencial preferem ouvir sobre bitcoin de alguém próximo a eles: um amigo, um membro da família ou um consultor financeiro compartilhando sua experiência direta. Após ouvir 19 mensagens testadas, a porcentagem de entrevistados que disseram ter “nenhum interesse” em adquirir bitcoin caiu de 39% para 32%, enquanto aqueles que disseram estar “muito ou extremamente interessados” aumentou de 19% para 24%.

As Expectativas de Retorno São o Motor da Adoção
Um artigo acadêmico publicado pelo Banco Central Federal de Cleveland em julho de 2026, autorizado por Michael Weber, Bernardo Candia, Olivier Coibion e Yuriy Gorodnichenko, reforça essas descobertas sob uma perspectiva diferente.
O artigo, intitulado “Do You Even Crypto, Bro? Cryptocurrencies in Household Finance”, analisou pesquisas do Painel Nielsen Homescan de 2018 a 2025, com entre 15.000 e 25.000 lares por amostra. A principal descoberta é que as expectativas de retorno preveem Bitcoin holdings com maior precisão do que todas as variáveis demográficas combinadas.
Em 2021, aqueles que possuíam bitcoin esperavam um retorno anual de 22%, em comparação com os 7% antecipados por aqueles que não possuíam. Em um experimento de 2025, o grupo que recebeu informações sobre o retorno de 14,3% do bitcoin aumentou sua intenção de investimento em criptoativos em 47% e apresentou uma probabilidade 23% maior de realizar uma compra real. A propriedade familiar nos Estados Unidos, entretanto, aumentou de menos de 2% em 2018 para aproximadamente 12% em 2025.

