Larry Fink, CEO da BlackRock, quer que você saiba que a IA não está em uma bolha. E ele apreciaria muito se todos começassem a gastar dinheiro mais rápido.
Falando no Fórum Econômico Mundial de 2026 em Davos em 22 de janeiro, Fink apresentou um argumento abrangente a favor da aceleração do investimento em infraestrutura de IA globalmente. Seu argumento central: o mundo não está avançando rápido o suficiente, os gastos de capital necessários são enormes e o retorno econômico da construção dessa infraestrutura se espalhará por toda a economia global.
Eu acredito sinceramente que não há uma bolha no espaço da IA. Centenas de bilhões de dólares são necessários para construir isso. O gasto com capital vai impulsionar mais crescimento global.
O caso para centenas de bilhões
A IA exige infraestrutura física: centros de dados, chips, redes elétricas e sistemas de refrigeração. Espera-se que grandes empresas de tecnologia, como AWS, Google e Microsoft, gastem US$ 200 bilhões ou mais apenas em centros de dados em 2026. Os resultados do Q1 de 2026 da BlackRock confirmaram que a empresa considera a infraestrutura de IA como uma oportunidade de mais de US$ 1 trilhão nos próximos cinco anos.
Fink argumentou especificamente que os benefícios da IA devem “se espalhar além das maiores empresas” para evitar um cenário em que um pequeno número de hyperscalers capture todo o valor. Ele apresentou o subinvestimento como uma vulnerabilidade geopolítica, alertando que as nações ocidentais correm o risco de ficar para trás na infraestrutura de IA em avanço da China se a alocação de capital permanecer concentrada entre poucos players dominantes.
Não é uma bolha, mas não é sem risco
A rejeição de Fink às discussões sobre bolha veio com uma ressalva notável: “Acho que haverá grandes falhas, mas não acho que estejamos em uma bolha.”
Essa distinção importa. Uma bolha implica superavaliação sistêmica, na qual os preços dos ativos se separam completamente das fundamentais subjacentes. Fink está dizendo algo diferente: empresas individuais, especialmente startups superavaliadas, certamente falirão, mas o setor como um todo não está caminhando para um colapso amplo. Também vale notar que a BlackRock tem se posicionado agressivamente em investimentos em infraestrutura, incluindo infraestrutura digital ligada à IA, o que significa que os incentivos de Fink e sua análise apontam na mesma direção.
O fator China e o que os investidores devem observar
A ênfase de Fink na concorrência com a China adiciona uma dimensão além da simples análise de mercado. Ele argumentou que o subinvestimento no Ocidente não é apenas uma oportunidade econômica perdida, mas uma vulnerabilidade estratégica, dadas as significativas avanços da China no desenvolvimento de IA.
Os beneficiários mais diretos de uma construção sustentada de infraestrutura de IA são fabricantes de chips, operadores de data centers, fornecedores de energia e empresas de tecnologia de refrigeração. Do lado dos riscos, os gastos com capital na escala descrita por Fink criam custos fixos enormes. Os data centers também são extremamente exigentes em energia, tornando a interseção entre infraestrutura de IA e mercados de energia um tema de investimento significativo, impactando a demanda por gás natural e o renascimento do interesse pela energia nuclear.
