BitMEX e seus fundadores, Arthur Hayes, Samuel Reed e Ben Delo, estão enfrentando uma nova ação coletiva apenas um dia após o exchange de derivados criptográficos ter encerrado. A ação alega que o exchange operou secretamente contra seus próprios usuários por meio de uma mesa de negociação interna, com os autores BKX Services e David Namdar alegando prejuízos combinados de 622,66 BTC (cerca de US$ 40,7 milhões).
BitMEX, fundadores nomeados em nova ação coletiva
A ação foi ajuizada em 23 de julho de 2026, no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Sul de Nova York, por BKX Services Inc. e David Namdar em nome de uma classe proposta de usuários do BitMEX.
A queixa nomeia a HDR Global Trading Limited, juntamente com os co-fundadores do BitMEX, Arthur Hayes, Ben Delo, Samuel Reed e o ex-executivo Gregory Dwyer como réus. Os autores alegam que a exchange operou secretamente o que chama de “Escritório de Negociação Interna”, que negociava diretamente contra os clientes, enquanto se apresentava publicamente como um mercado neutro.

De acordo com a queixa, o BitMEX supostamente tinha acesso privilegiado às ordens dos clientes, incluindo as chamadas “ordens ocultas”, dando a insiders uma vantagem comercial injusta que os usuários comuns não podiam ver.
A ação judicial afirma que os clientes acreditavam que estavam negociando apenas contra outros participantes do mercado, quando, segundo o documento, a BitMEX teria supostamente assumido o lado oposto das negociações.
Queixa alega que um escritório de negociação oculto lucrou com liquidações de clientes
Uma das alegações centrais é que o BitMEX supostamente usou o balcão interno para lucrar com liquidações de clientes enquanto gerava mais taxas de negociação.
De acordo com o filing, a exchange arrecadou mais de US$ 1 bilhão em taxas de transação entre novembro de 2014 e outubro de 2024, enquanto seu contrato perpétuo principal XBTUSD processou mais de US$ 2 trilhões em volume de negociação durante esse período.
Os autores também alegam que sofreram perdas significativas em bitcoin ao negociar na plataforma. A BKX Services alega perdas totais de 305,80903296 BTC, enquanto David Namdar afirma perdas de 316,85578220 BTC por meio de múltiplas liquidações. A queixa alega ainda que os clientes perderam coletivamente milhares de bitcoin como resultado da conduta alegada da exchange.

A ação judicial também revisa a queda de mercado de 13 de março de 2020, alegando que cerca de US$ 800 milhões em posições alavancadas foram liquidadas enquanto muitos usuários supostamente não conseguiram acessar a exchange devido a falhas no sistema.
De acordo com a queixa, a suposta operação de insider trading continuou funcionando durante a interrupção. O documento argumenta que esses eventos permitiram que o BitMEX gerasse o que descreve como “lucros ilícitos” por meio de taxas de negociação, liquidações de clientes e seu fundo de seguro em crescimento.
Autores buscam a devolução de bitcoin
Os autores estão pedindo ao tribunal que classifique o caso como uma ação coletiva e ordene que a BitMEX devolva o bitcoin dos clientes. Eles também estão buscando indenizações e danos punitivos, honorários advocatícios, custas judiciais e juros.
De acordo com a queixa, os usuários não teriam negociado no BitMEX se soubessem sobre o suposto balcão de negociação oculto.
A ação judicial ocorre apenas um dia após o BitMEX encerrar sua exchange. Ela também segue os problemas legais da plataforma em 2020, quando reguladores dos EUA acusaram a empresa por violações da Lei de Lavagem de Dinheiro e da Lei de Sigilo Bancário.
Este novo caso desloca o foco para como o BitMEX supostamente gerenciou internamente as negociações dos clientes.

