O Bitcoin permaneceu em faixa estreita próximo a US$ 82.000 na segunda-feira. O mercado continuou a leve alta da semana passada, mas o movimento principal já não é mais impulsionado pelo sentimento dos investidores individuais, e sim pela constante captação de recursos pelos ETFs de Bitcoin à vista nos EUA e pelo avanço da agenda regulatória em Washington.
No momento da publicação, o Bitcoin subiu cerca de 0,65% em relação ao início do domingo. No entanto, o preço atual ainda está abaixo do nível de um ano atrás e claramente abaixo do pico de mais de US$ 126.000 em outubro de 2025.
ETF continua a atrair fundos
Os ETFs de bitcoin à vista nos EUA registraram um fluxo líquido de aproximadamente US$ 1,9 bilhão em abril, o melhor desempenho mensal desde outubro de 2025, fazendo com que o fluxo acumulado no ano voltasse ao positivo. Desde o lançamento dos produtos em 2024, o fluxo líquido acumulado desses ETFs já atingiu quase US$ 58 bilhões.
De acordo com os dados apresentados, esses fundos atualmente detêm mais de 1,3 milhão de BTC. Em alguns períodos de abril, o volume médio diário de aquisição atingiu centenas de BTC, claramente superior à oferta adicional da mineração no mesmo período, comprimindo ainda mais a oferta disponível nas exchanges.
Após o início de maio, os ETFs de bitcoin spot registraram 9 dias consecutivos de fluxos líquidos positivos, acumulando aproximadamente US$ 2,7 bilhões. Estimativas indicam que isso equivale a retirar cerca de 33.000 a 35.000 BTC da oferta negociável do mercado. Os principais fluxos de capital foram direcionados para o IBIT da BlackRock e o FBTC da Fidelity, com o IBIT sendo considerado uma importante janela de observação do sentimento institucional.
A Lei CLARITY torna-se outra linha principal
Além do fluxo de capital, os avanços regulatórios nos Estados Unidos também estão afetando simultaneamente o mercado. Um dos principais focos do mercado atual é o CLARITY Act, em tramitação no Congresso dos EUA. O projeto de lei tem como objetivo definir as áreas de supervisão da Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos e da Comissão de Negociação de Futuros de Mercadorias para a maioria dos ativos digitais.
O relatório menciona que o projeto de lei está próximo da fase de análise pelo Comitê de Bancos do Senado. Após um compromisso sobre as cláusulas de rendimento dos stablecoins, o objetivo é levar o projeto a votação em plenário este verão.
Este processo se baseia na Lei GENIUS do ano passado, que já estabeleceu um regime regulatório completo para stablecoins de pagamento e definiu um prazo para regras subsequentes em julho de 2026.
Bancos e indústria de criptomoedas em confronto público
Logo antes da análise do Comitê Bancário do Senado, a Associação Americana de Bancários lançou uma campanha de lobby para tentar impedir o avanço da Digital Asset Market Clarity Act. O CEO da associação, Rob Nichols, em carta aos bancos membros, afirmou que o arranjo de rendimentos de stablecoins previsto na lei poderia levar à migração de depósitos dos bancos tradicionais para stablecoins de pagamento, comprometendo a estabilidade financeira e o crescimento econômico.
Essa declaração provocou rapidamente uma resposta da indústria de criptomoedas e dos legisladores que apoiam o projeto de lei. O chefe de assuntos jurídicos da Coinbase, Paul Grewal, afirmou que o setor bancário já havia obtido concessões nas negociações na Casa Branca. O senador Bernie Moreno acusou os bancos de tentarem sufocar a inovação e se comprometeu a apoiar a continuação do projeto de lei.
Além disso, a Casa Branca também está avançando continuamente o quadro de “Reserva Estratégica de Bitcoin”, discutindo como o governo pode gerenciar bitcoins apreendidos sem aumentar diretamente as despesas orçamentárias. Se esses acordos forem finalmente incorporados à lei, e não permanecerem apenas no nível de programas administrativos, as expectativas de detenção de bitcoins pelo governo também podem continuar a influenciar o mercado.

