Por seis semanas consecutivas, o bitcoin estava perdendo a batalha contra o ouro. Essa sequência agora foi revertida — e se mantém por duas semanas seguidas, com o bitcoin em alta de mais de 4% contra o metal precioso apenas esta semana.
Uma queda paralela reconfigura o debate
O momento desse recuperação é notável, dado que ambos os ativos estão profundamente em território de correção no momento. Bitcoin caiu de um máximo semanal de US$ 76.000 para abaixo de US$ 70.000, uma queda de aproximadamente 8,7%.
O ouro não se saiu melhor, perdendo 8,5% no mesmo período, empurrando o preço para cerca de US$ 4.616 por onça — bem abaixo da marca psicologicamente observada de US$ 5.000. Gold agora registrou duas semanas consecutivas de perdas e está em caminho para uma terceira, seu pior desempenho desse tipo desde novembro passado.

As vendas consecutivas reacenderam um debate de longa data nos círculos de criptomoedas: quando o ouro cai, o dinheiro acaba encontrando seu caminho para o bitcoin?
Benjamin Cowen, CEO da Into The Cryptoverse, diz não. Ele mantém essa visão desde pelo menos o final de janeiro, quando o ouro ainda estava em alta e os touros de cripto contavam com uma operação de rotação. Ele não acreditou nisso então. Ele ainda não acredita.
O caso de Cowen e o que o fundamenta
O raciocínio da Cowen se baseia em algo que já ocorreu dentro do mercado de criptomoedas. Quando o bitcoin subiu em ciclos anteriores, muitos traders esperavam que o capital acabasse se deslocando do BTC para altcoins menores, desencadeando o que o mercado chama de “temporada de altcoins”.

Segundo Cowen, essa rotação nunca se materializou de forma significativa. Ele vê a narrativa ouro-para-bitcoin seguindo o mesmo padrão.
Em 28 de janeiro, quando o ouro estava negociando próximo ao seu recorde histórico de US$ 5.597 — nível atingido em 29 de janeiro — a Cowen publicou que não se deve esperar nenhuma rotação de metais para criptoativos.
Um dia após essa postagem, o ouro caiu 4% e o bitcoin caiu pela mesma quantia, quase até o dólar. Esse movimento conjunto chamou atenção na época. Os eventos desta semana trouxeram o argumento de volta à tona.

Nem todos concordam com ele. Uma parte do mercado argumenta há muito tempo que metais preciosos e criptomoedas atendem a perfis de investidores diferentes, e que uma correção em um redireciona naturalmente o dinheiro para o outro. Até agora, neste ciclo, isso não se confirmou nos dados.
A Relação BTC/Ouro Conta uma História DiferenteO que complica o argumento de “sem rotação” é a própria BTC/gold ratio. Mesmo enquanto ambos os ativos caem em termos de dólar, o bitcoin vem recuperando terreno em relação ao ouro após atingir o fundo próximo a 12 onças de ouro por BTC no início deste mês.
Desde então, subiu de volta para cerca de 15 onças. Esse valor ainda está bem abaixo da banda média de Bollinger em 18 e longe da banda superior em 26, mas a direção mudou.
Imagem em destaque do Unsplash, gráfico do TradingView

