Estudo do Banco da Itália constata que stablecoins são rápidas, mas não mais baratas para pagamentos transfronteiriços

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As notícias on-chain de julho de 2026 do Banca d’Italia revelam que as stablecoins não são consistentemente mais baratas para pagamentos transfronteiriços. Pesquisadores testaram 200 transferências de USDC em dez corredores, com custos variando de 0,30% a 8,96%. Embora o assentamento on-chain tenha sido rápido—em menos de 15 minutos na maioria dos casos—a maioria das despesas veio de taxas de exchange, métodos de financiamento e conversão de FX. O estudo não encontrou vantagem de custo sistemática em relação a serviços como Wise. O Banca d’Italia planeja novos testes com mais tokens e provedores. Notícias sobre financiamento do projeto sugerem que as stablecoins ainda podem oferecer melhorias escaláveis se testadas de forma mais ampla.

O teste de campo da Banca d’Italia em julho de 2026 traz um toque de realidade à conversa sobre stablecoins para remessas: stablecoins não superam automaticamente os canais tradicionais em custo ou velocidade. O que fizeram - Pesquisadores realizaram transferências ao vivo de 200 USDC em dez corredores entre Itália, Argentina, Brasil, África do Sul, Emirados Árabes Unidos e Japão, utilizando uma abordagem de “comprador misterioso”. - O objetivo era medir custos reais e tempos de liquidação, não apenas taxas on-chain teóricas. Principais resultados - Os custos totais variaram amplamente, de 0,30% a 8,96% das transferências de US$ 200. - A etapa da blockchain representou apenas 0,4% do custo total em média; a maioria das despesas veio de compras em exchanges, métodos de financiamento, saques e conversão cambial. - A Banca d’Italia concluiu que não há “vantagem de custo sistemática” das stablecoins em relação aos serviços tradicionais de transferência. Destaque dos corredores (selecionados) - Itália → Argentina: mais barato, 0,30% - Argentina → Itália: mais caro, 8,96% (parcialmente impulsionado por diferenças entre as taxas cambiais oficiais e de mercado da Argentina, e não apenas por ineficiência da blockchain) - Brasil → Itália: 2,21%; Itália → Brasil: 2,70% - África do Sul → Itália: 5,44%; Itália → África do Sul: 4,58% - Rotas dos Emirados Árabes Unidos: entre as mais caras, com 7,20% e 8,95%, com taxas de financiamento por cartão e saque inflando os totais - Japão: Japão → Itália custou 1,6%, mas regras regulatórias obrigaram o uso de uma carteira não hospedada e etapas fragmentadas; a rota inversa custou 1,3%, mas não concluiu a etapa final de saída Velocidade e liquidação - A etapa de liquidação on-chain foi rápida: menos de 15 minutos em sete dos oito corredores diretamente comparáveis. - A conclusão completa, no entanto, dependeu dos pontos finais em moeda fiduciária. Transferências por sistemas domésticos instantâneos — TIPS da Itália, Pix do Brasil e Transferencias 3.0 da Argentina — foram liquidadas em menos de 20 minutos. Os sistemas bancários tradicionais na África do Sul levaram de um a dois dias úteis. - O estudo apresenta as redes de stablecoins e os sistemas domésticos de pagamento instantâneo como complementares, não como substitutos diretos. Referências e limitações - A Banca d’Italia comparou as transferências de USDC com simulações do Wise para a mesma quantia de US$ 200. O USDC foi mais barato em três rotas (Itália → Argentina, Itália → África do Sul, Brasil → Itália) e mais caro em quatro (incluindo ambas as rotas dos Emirados Árabes Unidos e Itália → Brasil). - Os pesquisadores alertaram que as transferências e as simulações do Wise ocorreram em datas diferentes e que os benchmarks do Banco Mundial utilizados são indicativos, não comparáveis diretamente. - O experimento cobriu uma única stablecoin e um número limitado de transações, portanto os resultados “não podem ser facilmente generalizados” para todos os provedores, tokens ou corredores. Contexto e reações - Os resultados ecoam a visão do governador da Banca d’Italia, Fabio Panetta, em maio, de que stablecoins podem ser úteis em corredores específicos, mas não são uma solução universal para remessas caras. Panetta defendeu melhorias na infraestrutura de pagamento doméstica e conexões transfronteiriças entre sistemas de pagamento rápido. - Um artigo do BIS de março de 2026 chegou a conclusões semelhantes, apontando baixa interoperabilidade, padrões fragmentados e diferenças institucionais como barreiras-chave — problemas que a liquidação por blockchain sozinha não resolverá. Implementações da indústria apresentam um quadro misto - Outros projetos relatam resultados mais otimistas: a Borderless.xyz encontrou preços competitivos de stablecoins em 260 corredores de pagamentos empresariais no segundo trimestre; um teste da Hyundai moveu US$ 20.000 entre os EUA e o México em cerca de sete minutos; a SBI Remit parceriou com a Fasset para construir infraestrutura de remessas com stablecoins. - A Banca d’Italia ressalta que esses casos não contradizem diretamente seu experimento, pois diferem em tamanhos de transferência, modelos de negócio e pontos finais. O que vem a seguir - A Banca d’Italia recomenda testes mais amplos e granulares: mais tokens e provedores, datas variadas e quantias de transação diferentes, além de total transparência sobre spreads de exchange, taxas de saque e tempos locais de pagamento. Somente assim os formuladores de políticas e participantes do mercado poderão avaliar se stablecoins podem entregar melhorias consistentes e escaláveis para pagamentos transfronteiriços. Conclusão final: stablecoins podem acelerar a etapa da blockchain, mas hoje não são uma solução universal e plug-and-play para altos custos de remessa — os sistemas bancários, mecanismos cambiais e infraestrutura local de pagamento ainda determinam o resultado final.

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