A nova reforma tributária da Austrália substituiu o desconto de 50% sobre ganhos de capital por indexação à inflação, o que pode aumentar a carga tributária para detentores de Bitcoin e Ethereum.
É esperado que a medida seja formalmente apresentada. O orçamento federal de 12 de maio marca o fim de um regime de 27 anos que oferecia um desconto fixo de 50% para ganhos de capital de longo prazo.
Esta mudança marca a reintrodução pela Austrália, em nível histórico, do modelo de “indexação à inflação” utilizado nas décadas de 1980 e 1990 (antes da reforma de 1999). De acordo com as informações vazadas, os ativos adquiridos após 10 de maio de 2026 estarão sujeitos às novas regras, e o sistema está previsto para ser implementado plenamente em 1º de julho de 2027.
O modelo atual permite que os investidores reduzam pela metade os ganhos tributáveis após manter os ativos por mais de 12 meses. Sob o novo plano, a base de custo não mais utilizará um desconto fixo, mas sim será ajustada conforme a taxa de inflação. Isso significa que os investidores pagarão impostos sobre os ganhos reais, e não sobre os ganhos nominais.
Investidores em criptomoedas podem sofrer o impacto mais severo
Esta reforma pode afetar mais severamente os investidores que detêm ativos de alto risco e alto retorno, como Bitcoin, Ethereum e ações de tecnologia. Em um ciclo de mercado alcista forte, a isenção trazida pela indexação à inflação está longe de compensar a atual vantagem fiscal de 50%.
Um exemplo apresentado por um analista tributário australiano ilustra o quão significativa é essa diferença. Sob o sistema atual, um investidor com ganhos de capital de 100.000澳元 apenas paga imposto sobre metade desse valor. Já no novo modelo, mesmo com uma taxa de inflação de 5%, o lucro tributável quase não muda — resultando em um aumento significativo na carga tributária.
Investidores que adotam a estratégia de longo prazo (HODL) enfrentam o maior risco, pois o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) não consegue compensar a ausência do mecanismo de desconto de 50% para ativos de alto crescimento. Ao mesmo tempo, o sistema de declaração de imposto de renda pessoal também se tornará mais complexo, exigindo o rastreamento da ajuste inflacionário de cada ativo.
O governo busca aumentar a receita fiscal e reduzir os preços imobiliários
O governo de Anthony Albanese defendeu a reforma, alegando a necessidade de aumentar a receita fiscal e desejar conter a demanda imobiliária gerada por “benefícios fiscais”. Estima-se que os atuais 50% de deduções custem ao orçamento nacional cerca de 20 bilhões de dólares australianos por ano.
Embora o foco oficial seja o mercado imobiliário, ativos criptográficos, ETFs e ações também estão incluídos na reforma, pois o gabinete insiste na “neutralidade tributária” entre diferentes classes de ativos.
Espera-se que o governo adote um modelo de transição híbrida para ativos adquiridos antes da reforma. Nesse modelo, parte do período de detenção será tributada conforme as regras antigas, com desconto de 50%, enquanto a parte restante será ajustada pela inflação.
O mercado tem acompanhado de perto o orçamento de 12 de maio, pois essa reforma pode provocar mudanças significativas no comportamento dos investidores, especialmente em criptomoedas e portfólios de longo prazo de alto rendimento.


