A Anthropic encerrou as negociações para adquirir a startup israelense de IA Decart em um acordo avaliado em aproximadamente US$ 6 bilhões, encerrando o que teria sido a maior aquisição da empresa por ampla margem.
O saque, que surgiu em 8 de setembro de 2026, deixa um dos acordos mais acompanhados da indústria de IA no lixo. E ocorre em um momento particularmente incômodo para a Anthropic, que supostamente está considerando um IPO já neste outono.
O que o Decart traz para a mesa
A Decart não é uma startup de IA típica perseguindo o próximo chatbot ou gerador de imagens. Fundada em setembro de 2023, a empresa desenvolve software de otimização de chips projetado para tornar a inferência de IA, o processo de executar modelos treinados, significativamente mais eficiente.
As áreas de foco da startup abrangem vídeo generativo, simulação de robótica e sistemas autônomos. Todos os três são domínios intensivos em computação, onde reduzir mesmo pequenas porcentagens nos custos de processamento pode se traduzir em economias massivas em escala.
A trajetória de captação de recursos da Decart reflete o quão seriamente a indústria leva sua tecnologia. A empresa arrecadou aproximadamente US$ 450 milhões no total, com uma rodada de US$ 300 milhões encerrada em maio de 2026, que avaliou sua empresa em cerca de US$ 4 bilhões. Nvidia foi um dos principais investidores nessa rodada, um detalhe que se torna especialmente interessante dado o que supostamente aconteceu nos bastidores durante as negociações de aquisição.
Talvez o mais surpreendente: os três fundadores da Decart ainda mantêm aproximadamente 64% da propriedade da empresa. Esse tipo de controle dos fundadores é incomum para uma startup que arrecadou quase meio bilhão de dólares, e isso lhes deu alavancagem significativa nas negociações de acordos.
Um negócio que quase não foi, e então realmente não foi
As negociações de aquisição haviam avançado para uma fase avançada até meados de agosto de 2026. A oferta da Anthropic foi estruturada principalmente em ações, e não em dinheiro, avaliando a Decart em aproximadamente US$ 6 bilhões. Isso representava um premium de cerca de 50% sobre a última avaliação privada da Decart.
Relatórios indicam que a Nvidia, já investidora na Decart, apresentou sua própria oferta, considerada mais atraente financeiramente. Contudo, os fundadores da Decart teriam escolhido seguir em frente com o acordo da Anthropic, recusando a oferta da Nvidia.
Mas então a Anthropic se retirou. As razões específicas para a retirada permanecem não divulgadas.
Por que a Anthropic pode ter ficado com medo
O fator mais óbvio é o IPO. A Anthropic tem se preparado para uma listagem pública potencialmente já em setembro ou outubro de 2026. Fechar uma aquisição baseada em ações de US$ 6 bilhões logo antes de ir à bolsa criaria complexidade significativa. Poderia diluir os acionistas existentes, complicar a narrativa financeira da empresa para investidores potenciais do mercado público e introduzir risco de integração no momento exatamente errado.
Um preço de US$ 6 bilhões também merece escrutínio em seus próprios termos. Isso representa um premium de 50% sobre uma avaliação definida apenas três meses antes.
Para a Decart, a situação é complicada, mas não catastrófica. A empresa possui um novo financiamento de US$ 300 milhões, mantém o controle majoritário dos fundadores e atua em um segmento de mercado onde a demanda por eficiência de inferência só cresce. A questão mais urgente é o que acontecerá com o interesse da Nvidia. Se essa oferta ainda estiver sobre a mesa ou puder ser revivida, os fundadores da Decart agora enfrentam um cálculo diferente. O caminho da Anthropic, que preferiam, está fechado.
