BlockBeats noticia que, em 3 de março, os conflitos no Irã e suas ações de retaliação na região do Oriente Médio novamente colocaram o Estreito de Ormuz no centro das atenções da economia global. Analistas alertam que mesmo uma interrupção parcial ou temporária no fornecimento de petróleo pode causar impactos significativos na economia global; se o estreito permanecer fechado por longo prazo, a economia mundial pode enfrentar uma "recessão certa".
Bob McNally, fundador da Rapidan Energy Group e ex-conselheiro energético do governo Bush, disse: "O fechamento prolongado do Estreito de Ormuz levará a economia global a uma recessão certa."
De acordo com dados da Energy Information Administration dos Estados Unidos, cerca de 20% do comércio global de gás natural liquefeito (GNL) em 2024 precisam ser transportados por este estreito; cerca de 38% do fornecimento global de petróleo cru também passam por este canal. Apenas a Arábia Saudita transporta diariamente cerca de 5,5 milhões de barris de petróleo cru por este caminho em 2024. Apesar da existência de dutos alternativos através da Península Arábica, sua capacidade é limitada e insuficiente para compensar a interrupção total do estreito.
Antes mesmo de o Irã bloquear efetivamente o estreito, as expectativas do mercado já foram perturbadas. Relatos da mídia indicaram que as forças armadas iranianas alertaram que a região é “insegura”, resultando em uma queda de cerca de 70% no fluxo de navios que atravessaram o estreito em comparação com o dia anterior.
Estudos de instituições de pesquisa indicam que, se o fechamento do estreito durar mais de um ano, cerca de 15% do fornecimento global de GNL desaparecerá, com a Europa, a Índia e o Japão sofrendo os impactos mais severos nas importações. Analistas consideram que, se a infraestrutura energética do Golfo for atingida ou se as restrições à passagem se prolongarem, os preços do petróleo podem subir para mais de 100 dólares por barril. Algumas instituições avaliam em cerca de 20% a probabilidade de os preços do petróleo atingirem 120 dólares.
No entanto, a análise também aponta que o Irã enfrenta limitações práticas na implementação de um bloqueio prolongado, incluindo a presença militar dos Estados Unidos na região e as consequências diplomáticas que podem decorrer do corte do fornecimento de energia. Historicamente, o Irã ameaçou fechar o estreito várias vezes, mas nunca o fez realmente.
A consultoria energética Wood Mackenzie aponta que a crise do petróleo dos anos 70 desencadeou uma recessão global, mas a economia mundial atual depende significativamente menos do petróleo. Para reproduzir um impacto da mesma magnitude, os preços do petróleo precisariam subir para cerca de US$ 200 por barril. A instituição considera que, se o conflito continuar elevando os preços de petróleo e gás e afetando economias vulneráveis, as fortes volatilidades nos mercados financeiros globais podem forçar os países envolvidos a buscar caminhos de alívio.
