A AMD acabou de registrar um trimestre que a maioria das empresas enquadricularia e penduraria na parede. A receita atingiu US$ 10,3 bilhões, um aumento de 38% em relação ao mesmo período do ano anterior. O lucro por ação foi de US$ 1,37, superando as estimativas consensuais em cerca de 9-10%. O segmento de data center cresceu 57% em relação ao ano anterior, alcançando US$ 5,8 bilhões em vendas.
E a ação caiu. Porque, claro, ela caiu.
O plano de comprar pelo boato e vender na notícia
Os resultados do Q1 de 2026 da AMD, divulgados em 5 de maio, atenderam virtualmente a todos os critérios que um analista poderia esperar. O negócio de data center impulsionado por IA da empresa agora representa mais da metade da receita total. Após o horário de negociação, as ações inicialmente subiram cerca de 4% com base nesses números. Mas as sessões de mercado mais amplas contaram uma história diferente, com as ações perdendo esses ganhos e mais ainda.
Do queridinho da cripto à potência da IA
Durante a bolha de criptomoedas de 2017-2018, as placas gráficas da AMD se tornaram o negócio da pica e da pá da corrida mineradora. A mineração com GPU para Ethereum e outras moedas baseadas em prova de trabalho impulsionou uma demanda significativa pela linha Radeon da AMD. No auge, as vendas de GPUs relacionadas à blockchain representavam cerca de 6% da receita total da AMD. Quando os preços das criptomoedas caíram, a AMD ficou com estoque que os mineiros não queriam mais.
A AMD desde então pivotou sistematicamente longe da receita dependente de criptomoedas e em direção ao boom da infraestrutura de IA. As vendas de data centers de US$ 5,8 bilhões em um único trimestre superam qualquer coisa contribuída pela era de mineração de criptomoedas.
Em julho de 2026, a AMD firmou um acordo de vários anos com a Core Scientific, uma das maiores operações de mineração de bitcoin da América do Norte. A parceria não se trata de minerar bitcoin — trata-se de converter a enorme infraestrutura de energia da Core Scientific, com 529 megawatts, em capacidade de computação para IA. O acordo abrange 15 anos e tem receita base projetada superior a US$ 14 bilhões.
O que isso significa para investidores que acompanham a interseção entre IA e criptomoedas
Os resultados da AMD e sua parceria com a Core Scientific destacam uma tendência mais ampla: a infraestrutura que impulsionou a era da mineração está sendo reaproveitada para cargas de trabalho de IA. A gestão da AMD fez uma escolha deliberada de não apostar a empresa nos ciclos de cripto. A taxa de crescimento de 57% do segmento de data centers deixa isso absolutamente claro.
A queda da ação após os resultados também oferece um lembrete útil sobre os mecanismos do mercado. A AMD superou amplamente as estimativas, seu negócio principal está acelerando e acaba de garantir um contrato de mais de US$ 14 bilhões com um antigo minerador de criptomoedas. A venda provavelmente reflete realização de lucros e expectativas elevadas, e não qualquer fraqueza fundamental.
