As tensões comerciais entre os Estados Unidos e o Brasil estão se estendendo ao setor de pagamentos. Os Estados Unidos planejam impor tarifas de 25% sobre a maioria das mercadorias importadas do Brasil a partir de 22 de julho, incluindo o sistema de pagamentos em tempo real Pix do Brasil como um dos itens controversos nos documentos comerciais relacionados. Ao mesmo tempo, o uso de stablecoins em dólar no mercado de ativos digitais do Brasil continua a se expandir.
Pix incluído na disputa comercial
As medidas finais divulgadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos em 15 de julho decorrem de uma investigação “301” que durou um ano, abrangendo questões como comércio digital e pagamentos eletrônicos. Os EUA consideram que algumas políticas brasileiras colocam empresas americanas de pagamentos eletrônicos em desvantagem, e o Pix foi incluído nesse contexto de avaliação.
Note que os EUA não impuseram impostos separadamente sobre o Pix, mas sim utilizaram a questão dos pagamentos eletrônicos como um dos motivos para aumentar as tarifas sobre produtos brasileiros.
O Pix, lançado pelo Banco Central do Brasil em 2020, tornou-se a infraestrutura de pagamento diária local. Dados do Banco Central do Brasil mostram que, em 2024, o Pix processou 63 bilhões de transações, totalizando 26,4 trilhões de reais. A popularidade do sistema também aumentou a pressão competitiva sobre redes de cartões e outros serviços de pagamento.
Os stablecoins em dólar continuam a se expandir
Enquanto os sistemas de pagamento locais se desenvolvem rapidamente, as stablecoins em dólar também ganham maior participação no mercado de criptomoedas do Brasil. O Banco Central do Brasil anteriormente afirmou que as stablecoins representam cerca de 90% dos fluxos de criptomoedas declarados no país, sendo geralmente utilizadas pelos usuários para pagamentos e transferência de valor.
Essa tendência também começou a se integrar às redes de pagamento locais. Em junho, o Oobit, apoiado pela Tether, integrou-se ao Pix, permitindo que os usuários depositassem reais, mantivessem USDT e realizassem pagamentos por meio de chaves Pix ou códigos QR. As stablecoins são liquidadas em segundo plano, enquanto a interface frontal continua utilizando os métodos de pagamento familiares aos usuários brasileiros.
Além do Brasil, os stablecoins lastreados ao dólar também estão ampliando seu uso em outros mercados da América Latina. O crypto.news citou anteriormente dados da Bitso, indicando que, em 2025, os tokens atrelados ao dólar representaram 40% das compras de criptomoedas em sua plataforma, superando o Bitcoin.
Brasil restringe o uso de liquidação transfronteiriça
As autoridades brasileiras não proibiram a circulação de stablecoins, mas estão restringindo seu acesso ao sistema regulamentado de liquidação de pagamentos transfronteiriços. De acordo com a Resolução nº 561 do Banco Central do Brasil, ativos virtuais não podem ser utilizados para liquidação de pagamentos nos canais eletrônicos regulamentados de câmbio.
Esta regulamentação não equivale a uma proibição total de stablecoins ou transferências criptográficas. Seu núcleo exige que provedores de serviços de câmbio eletrônico regulamentados, ao processar pagamentos transfronteiriços relacionados, permaneçam dentro dos canais de câmbio oficiais aprovados e não utilizem ativos digitais para liquidação.
Isso significa que as stablecoins ainda podem ser negociadas por meio de exchanges, carteiras e outros canais, mas as instituições de pagamento regulamentadas em operações de liquidação internacional ainda devem cumprir as regras de câmbio do Banco Central do Brasil.
Informação adicional: Esta medida dos Estados Unidos incorpora a questão dos pagamentos eletrônicos em um conflito comercial mais amplo com o Brasil e não lista o Pix como um objeto separado de tarifas.

