As Filipinas acabaram de traçar uma linha dura contra as moedas de privacidade. O Bangko Sentral ng Pilipinas (BSP), o banco central do país, aprovou um memorando que proíbe categoricamente provedores de serviços de ativos virtuais licenciados de listar ou dar suporte a quaisquer ativos virtuais que aumentem a anonimidade.
Memorando nº M-2026-023, aprovado em 5 de junho de 2026, torna efetivamente as Filipinas uma das últimas jurisdições a aplicar um martelo regulatório contra tokens focados em privacidade. Todo VASP registrado operando no país, incluindo plataformas principais como Coins.ph e PDAX, agora deve cumprir.
O que as novas regras realmente exigem
A proibição central é direta: se um token for projetado para ocultar detalhes da transação, as exchanges filipinas licenciadas não podem operá-lo. O BSP não nomeou tokens específicos no memorando, mas a categoria abrange amplamente moedas construídas com recursos de aumento de anonimato que tornam o rastreamento de transações difícil ou impossível.
Mas o memorando vai muito além de simplesmente proibir moedas de privacidade. Ele introduz um quadro de avaliação pré-listagem significativamente mais exigente para todos os ativos virtuais.
VASPs agora devem realizar análises mais aprofundadas antes de adicionar qualquer token às suas plataformas. Essas avaliações abrangem segurança, liquidez e utilidade, forçando essencialmente as exchanges a construírem um caso abrangente sobre por que um determinado ativo merece ser listado em primeiro lugar.
Para tokens lastreados por ativos e lastreados por moeda fiduciária, o BSP exige o que chama de “avaliação do ciclo de vida”. Em inglês: as exchanges precisam avaliar não apenas o estado atual de um token, mas todo o seu modelo econômico, desde a emissão até a resgate, incluindo a credibilidade do emissor e a solidez do mecanismo de lastro.
O histórico do emissor e sua conformidade regulatória também são considerados na avaliação.
O contexto regulatório mais amplo
A supervisão do banco central sobre ativos virtuais remonta pelo menos a 2017, tornando as Filipinas um dos primeiros países da Sudeste Asiático a agir na regulamentação de criptomoedas. Mas o ritmo das ações regulatórias acelerou significativamente em setembro de 2022, quando o BSP instituiu uma moratória sobre novas licenças de VASP. Esse congelamento foi estendido até o período de 2025-2026, o que significa que nenhuma nova exchange de criptomoedas pode se estabelecer no país enquanto o BSP aperfeiçoa seu regulamento.
O BSP está alinhando explicitamente seu framework com os padrões estabelecidos pela Força-Tarefa de Ação Financeira (FATF), o órgão global que define as regras sobre lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo. A FATF há muito tempo sinalizou tecnologias que aumentam a anonimidade como um vetor de risco, e países que desejam manter uma boa relação com a organização tendem a levar esses alertas a sério.
O que isso significa para os investidores
Para quem detém tokens voltados para privacidade em exchanges filipinas, a implicação imediata é clara: esses ativos precisarão ser movidos fora da plataforma ou convertidos. O memorando não criminaliza a posse de moedas de privacidade em carteiras pessoais, mas remove as entradas e saídas institucionais que tornam o comércio delas conveniente.
Para o mercado filipino de criptomoedas em geral, os novos padrões de listagem elevam o nível para todos os tokens, não apenas para moedas de privacidade. As exchanges precisarão investir mais recursos em equipes de conformidade e processos de due diligence. Tokens menores ou mais novos que não conseguirem demonstrar segurança robusta, liquidez adequada e utilidade clara podem encontrar mais dificuldade para serem listados em plataformas filipinas.

