A Oracle está apostando que o futuro de seus negócios passa por centros de dados repletos de GPUs. A empresa está expandindo agressivamente sua Oracle Cloud Infrastructure (OCI) para atender à crescente demanda global por computação de IA, com projetos de bilhões de dólares em andamento nos EUA, Japão, Malásia, Alemanha e Países Baixos.
A Oracle planeja arrecadar entre US$ 45 bilhões e US$ 50 bilhões em 2026 por meio de uma combinação de emissões de dívida e ações, todas destinadas a acelerar esta expansão focada em IA.
Os números contam a história
No Q4 do ano fiscal de 2026, a receita da OCI aumentou 93% em relação ao mesmo período do ano anterior, atingindo US$ 5,8 bilhões. A receita total de serviços em nuvem cresceu 47% para US$ 9,91 bilhões no mesmo período.
A Oracle conseguiu conquistar contratos com alguns dos maiores nomes impulsionando a onda de IA, incluindo OpenAI, Meta e NVIDIA.
O Japão está recebendo mais de US$ 8 bilhões em investimentos em data centers. A Malásia está programada para mais de US$ 6,5 bilhões. A Alemanha e a Holanda estão compartilhando uma alocação de US$ 3 bilhões.
Em março de 2026, a Oracle apresentou seu próximo Supercluster OCI, construído sobre a plataforma NVIDIA Vera Rubin. A Oracle e a NVIDIA têm colaborado de perto para levar essa tecnologia ao mercado.
Em junho de 2026, a Oracle lançou seus serviços de IA empresarial na UAE Central, com sede em Abu Dhabi. Esse lançamento incluiu suporte expandido para os modelos Qwen da Alibaba e Gemma do Google, sinalizando que a Oracle está construindo uma plataforma independente de modelos, em vez de se vincular a um único ecossistema de IA.
Por que a Oracle está fazendo essa aposta agora
A Oracle historicamente foi conhecida como uma empresa de banco de dados corporativo. Mas a empresa de Larry Ellison tem passado os últimos anos reposicionando-se, e a trajetória de receita sugere que a estratégia está funcionando.
A parceria com a NVIDIA é particularmente significativa. As GPUs da NVIDIA são o padrão-ouro para treinamento e inferência de IA, e ter acesso antecipado a silício de próxima geração, como a plataforma Vera Rubin, dá à Oracle uma vantagem técnica para atrair as cargas de trabalho de IA mais exigentes.
O que isso significa para os investidores
Arrecadar entre US$ 45 bilhões e US$ 50 bilhões em dívida e capital próprio diluirá os acionistas existentes e aumentará a alavancagem da Oracle. O jogo de construção da infraestrutura é essencialmente uma aposta de que a demanda continuará acelerando por anos, não meses.
Contratos com a OpenAI, Meta e NVIDIA representam compromissos de longo prazo, não capacidade especulativa. A Oracle posicionou-se como a alternativa confiável aos três grandes hiperscalers: AWS, Azure e Google Cloud.
A métrica-chave para acompanhar nos próximos trimestres é se a Oracle conseguirá converter seus gastos com capital em crescimento sustentado de receita sem compressão de margem. Uma taxa de crescimento de 93% é espetacular, mas manter algo próximo a esse ritmo enquanto absorve US$ 50 bilhões em novos gastos será o verdadeiro teste de se esse investimento dará certo.
