A OpenAI acabou de aumentar sua previsão de gastos com computação e infraestrutura em nuvem para cerca de US$ 750 bilhões até 2030. Isso representa um aumento em relação aos US$ 600 bilhões previstos anteriormente este ano e sinaliza que a demanda da empresa por poder computacional bruto está acelerando mais rapidamente do que as próprias projeções da companhia conseguem acompanhar.
A projeção revisada, relatada pelo Wall Street Journal em 22 de julho, representa um aumento de 25% em relação ao valor aproximado de US$ 600 bilhões definido anteriormente pela OpenAI para 2026. Os recursos estão destinados a duas coisas: novos acordos de serviço em nuvem com provedores existentes e, cada vez mais, a expansão da infraestrutura de data centers da própria OpenAI.
A joia da coroa desse impulso de infraestrutura autoconstruída é o Projeto Camellia. A OpenAI comprometeu US$ 20 bilhões para iniciar o complexo massivo de data centers no condado de Effingham, Geórgia. A instalação vem com um contrato de energia de 3,2 gigawatts vigente de 2028 a 2032, o que equivale aproximadamente à quantidade de eletricidade necessária para abastecer uma cidade de porte médio.
A questão sobre a trajetória de gastos da OpenAI é que ela não foi exatamente uma linha reta. O CEO Sam Altman anteriormente mencionou um investimento de US$ 1,4 trilhão em infraestrutura de IA, um valor tão elevado que assustou investidores e provocou uma redefinição. A empresa reduziu as expectativas para cerca de US$ 600 bilhões no início deste ano. Agora, está voltando a aumentar, chegando a US$ 750 bilhões.
A empresa também teria contratado um arquiteto que anteriormente trabalhou na infraestrutura de computação de Elon Musk, adicionando outro sinal de que a OpenAI está extremamente séria em controlar seu próprio destino de hardware, em vez de depender inteiramente de parceiros de nuvem como o Microsoft Azure.
Um contrato de 3,2 gigawatts para uma única instalação é enorme. Para contextualizar, uma usina nuclear típica gera cerca de 1 gigawatt. A OpenAI está essencialmente reservando a produção de energia equivalente a três usinas nucleares para um único complexo de data centers.
Não há nenhum componente de blockchain, nenhum lançamento de token e nenhuma integração DeFi nos planos de infraestrutura da OpenAI. Os gastos são puramente tradicionais: servidores, imóveis, contratos de energia e acordos de nuvem.
As enormes demandas energéticas dos centros de dados de IA competem diretamente com outra indústria voraz de energia: a mineração de bitcoin. Quando uma empresa como a OpenAI reserva 3,2 gigawatts de capacidade energética em um único acordo, essa é eletricidade que não está disponível para operações de mineração. Já vimos esse dinâmica se desenrolar no Texas, onde mineradores de bitcoin e centros de dados de IA competem pelos mesmos recursos da rede e pelos mesmos contratos energéticos favoráveis. Algumas empresas de mineração mudaram seu foco para oferecer suas instalações para cargas de trabalho de computação de IA, pois as margens são melhores.
A revisão do gasto de US$ 600 bilhões para US$ 750 bilhões em apenas alguns meses também diz algo sobre o ritmo da variação. As previsões em IA são alvos móveis, e se a demanda continuar superando as projeções, podemos facilmente ver outra revisão para cima antes de 2030.

