Vinte e seis funcionários atuais e anteriores da Meta estão processando a empresa em tribunal federal, alegando que sistemas assistidos por IA desempenharam papel central na decisão de quem foi demitido. A ação judicial, apresentada em julho de 2026 em Oakland, Califórnia, afirma que ferramentas como pontuação de produtividade, rastreamento de uso de tokens de IA e algoritmos de classificação de desempenho foram utilizadas para selecionar funcionários para demissão, e que esses sistemas alvejaram desproporcionalmente trabalhadores em licença médica, parental ou familiar.
O que aconteceu na Meta
A ação judicial ocorre no contexto de uma significativa redução de pessoal na Meta Platforms. Em maio de 2026, aproximadamente 8.000 funcionários, cerca de 10% do total de colaboradores da empresa, foram notificados de que seus cargos estavam sendo eliminados. A data programada para a demissão dos trabalhadores afetados foi definida para 22 de julho de 2026.
Os réus agiram rapidamente, buscando uma ordem judicial temporária para impedir as demissões antes dessa data. O juiz federal William Orrick negou o pedido, mas seu raciocínio foi revelador. Ele reconheceu a complexidade fundamental de provar a influência da IA em decisões de emprego, observando que os autores “não estavam nas salas onde isso aconteceu”.
Entre as ferramentas de IA mencionadas na queixa está a “Metamate”, descrita como um assistente de modelo de linguagem de grande porte, juntamente com várias tecnologias de monitoramento de produtividade. A ação judicial alega que esses sistemas violaram os requisitos de teste de viés previstos tanto na lei estadual da Califórnia quanto nas regulamentações da Cidade de Nova York.
Uma audiência sobre uma medida cautelar preliminar está agendada para 24 de agosto de 2026. Esse procedimento pode estabelecer um precedente inicial sobre como os tribunais avaliam alegações de discriminação algorítmica no local de trabalho.
O que isso significa para empresas de tecnologia e investidores
A ação invoca os requisitos de teste de viés sob as leis da Califórnia e da Cidade de Nova York, duas jurisdições que lideraram a regulamentação da tomada de decisões automatizadas no emprego. A Lei Local 144 da Cidade de Nova York, que exige auditorias de viés para ferramentas de decisão automatizada em emprego, está em vigor desde 2023, mas sua aplicação tem sido desigual.
