O grupo independente de consultores criptográficos da Coinbase lançou um novo relatório afirmando que o Bitcoin atualmente não enfrenta uma ameaça real de computação quântica, mas que os preparativos para a transição para sistemas criptográficos resistentes a quantum devem ser iniciados o mais rápido possível, sem esperar que a comunidade alcance consenso sobre todas as controvérsias.
A controvérsia está concentrada no endereço antigo
O relatório foi escrito por diversos pesquisadores de criptografia, incluindo o pesquisador da Ethereum Foundation Justin Drake. O foco da discussão são os endereços Bitcoin que ainda dependem de assinaturas ECDSA e Schnorr para proteção, e se os BTC nesses endereços precisarão de migração obrigatória no futuro.
Alguns apoiadores defendem a definição de um prazo limite para a migração, após o qual não serão mais aceitas assinaturas do esquema antigo. Isso congelaria fato os BTC que não forem migrados para endereços resistentes a quantum, reduzindo o risco de atacantes quânticos futuros controlarem grandes quantidades de bitcoins.
Should it be frozen and handed over to the community?
Os críticos argumentam que tornar esse tipo de BTC indisponível equivale a uma expropriação indireta de propriedade e entra em conflito com os princípios de imutabilidade e autogestão de ativos pelos usuários, que o Bitcoin sempre enfatizou.
O conselho consultivo da Coinbase não apoia diretamente nenhuma das partes. O relatório afirma que a decisão sobre se os BTC nos endereços vulneráveis devem ser congelados, destruídos ou mantidos inalterados deve ser tomada pela comunidade Bitcoin por meio de um processo de consenso, e não por um pequeno grupo de pesquisadores isoladamente.
1,7 milhão de BTC já expuseram a chave pública
Relatórios indicam que cerca de 1,7 milhão de BTC estão armazenados em endereços pay-to-public-key mais antigos, cujas chaves públicas já estão expostas e, teoricamente, tornam-se mais vulneráveis a ataques caso a capacidade de computação quântica aumente significativamente no futuro.
- O endereço da chave pública exposta possui aproximadamente 1,7 milhão de BTC
- Project11 estima que o potencial de exposição possa chegar a 5 milhões de BTC
- Parte desses ativos ainda é controlada por usuários ativos e instituições
Várias opções de migração já foram propostas
O relatório lista também várias soluções de transição. O plano Hourglass propõe limitar a quantidade de BTC que pode ser transferida por bloco a partir de endereços vulneráveis, para evitar o retorno súbito de grandes quantidades de moedas antigas ao mercado. O BIP-361 tenta permitir que os usuários continuem provando a propriedade dos ativos de forma resistente a quantum após a saída das assinaturas antigas.
Outro mecanismo, os PACTs, permite que os usuários comprometam-se antecipadamente com endereços resistentes à computação quântica, sem precisar transferir fundos imediatamente para a cadeia. Em geral, o ponto central deste relatório não é afirmar que o risco está iminente, mas sim exigir que o Bitcoin comece a preparar um caminho de migração para as possíveis mudanças tecnológicas que estão por vir.


