O Banco de Israel retornou ao mercado de câmbio em maio, comprando US$ 801 milhões em moeda estrangeira para conter o shekel, que estava ficando excessivamente forte. Foi a primeira intervenção direta do banco central desde 2022, um movimento que destaca o quanto o shekel em alta tem pressionado a economia do país, baseada em exportações.
O shekel vinha sendo negociado próximo ao pico mais alto em 33 anos em relação ao dólar americano, um nível que soa impressionante no papel, mas foi silenciosamente devastador para as empresas israelenses que recebem receita em moedas estrangeiras.
Como os números parecem
As reservas cambiais externas totais de Israel subiram para um recorde de US$ 238,681 bilhões até o final de maio de 2026. Isso representa um aumento mensal de US$ 2,953 bilhões, embora os US$ 801 milhões em compras diretas apenas revelem parte da história.
A maior parte do crescimento das reservas, cerca de US$ 2,685 bilhões, veio de ganhos de reavaliação. Em inglês: os ativos existentes que o banco central já detinha tornaram-se mais valiosos, em grande parte devido a mudanças nos valores das moedas globais e nos preços dos ativos.
A divulgação ocorreu em 7 de junho, cerca de uma semana após o fechamento de maio. O Banco de Israel caracterizou as compras como ações direcionadas destinadas a manter o funcionamento ordenado do mercado, e não como uma tentativa de fixar o shekel em nenhuma taxa de câmbio específica.
Por que o shekel se tornou tão forte
O setor de tecnologia de Israel tem sido um imã para capital estrangeiro por anos, e os fluxos de investimento em dólares criam naturalmente demanda por shekels. Quando investidores no exterior desejam adquirir participações em startups israelenses ou alocar recursos em ações listadas em Tel Aviv, eles precisam primeiro converter seus dólares na moeda local.
O setor de tecnologia, que forma a espinha dorsal da economia de exportação de Israel, foi particularmente exposto. Empresas de tecnologia geralmente geram a maior parte de sua receita internacionalmente, enquanto pagam salários e custos operacionais em shekels. Um shekel mais forte significa que essas receitas denominadas em dólares compram menos shekels na hora do pagamento.
O que isso significa para os investidores
A intervenção envia um sinal claro de que o banco central de Israel tem um limite de dor, e o shekel estava se aproximando dele. Para quem detém ativos israelenses ou negocia o shekel, a compra de US$ 801 milhões é essencialmente um tiro de aviso.
Para investidores em ações com exposição a ações de tecnologia israelenses, a intervenção é amplamente positiva. Um shekel mais fraco, ou pelo menos um que pare de se fortalecer, protege os lucros das empresas orientadas para exportação. Dito isso, o Banco de Israel evitou explicitamente comprometer-se com uma meta de taxa de câmbio específica.
Também há um aspecto inflacionário digno de atenção. Um shekel forte atua como um freio natural sobre os preços das importações, mantendo efetivamente a inflação dos consumidores sob controle ao tornar os bens estrangeiros mais baratos. Se o banco central conseguir enfraquecer a moeda, parte desse benefício desinflacionário desaparecerá, potencialmente complicando as decisões de política monetária no futuro.
O estoque de reservas de US$ 238,681 bilhões dá ao Banco de Israel um poderoso arsenal caso decida intensificar.
